Place Branding – como usar

outubro 5, 2012 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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Fui convidado pelo Tio Flávio, coordernador do curso de Pós-Graduação da PUC-MG, a escever um pequeno artigo sobre do que se trata Place Branding, afinal de contas. O texto foi publicado em seu blog, que reproduzo logo abaixo.

Place branding: conhecendo e repensando a identidade de lugares públicos

De tempos em tempos novos temas relativos à comunicação surgem despertando interesses distintos, seja pelo seu ‘espírito do tempo’ ou pela relevância de sua prática. Um dos assuntos em questão é o Place Branding, uma transdisciplina que vem ajudando as cidades, estados e países a se posicionarem nesse concorrido e complexo século XXI. Para falar sobre este assunto, ninguém melhor que o GUSTAVO SANTOS*, um especialista e estudioso dos temas que ajudam a entender os conceitos que permeiam o Place Branding.

“Tema controverso e muitas vezes confundido com propaganda oficial – talvez pela sua equivocada aplicação pelos governos – Place Branding pode ser uma importante ferramenta de desenvolvimento regional e de engajamento das suas populações.

No Brasil, com dois eventos internacionais de grande porte a caminho, o assunto, de uma forma ou de outra, começa a entrar em pauta tanto no mercado quanto nas esferas mais altas dos governos, mas ainda muito pouco é praticado em sua essência. No entanto, o que de fato é esse tal de Place Branding? Para que serve e como usar?

Place Branding, em uma análise superficial, nada mais é do que a transposição das técnicas, ferramentas e metodologias aplicadas à construção e manutenção de marcas de produtos e serviços do mercado de consumo a países, estados, regiões, cidades, bairros e até mesmo uma rua ou uma praça.

Mas, com um olhar um pouco mais atento, pode-se percebe que o objeto de trabalho – lugares públicos – envolve questões bem mais complexas do que o universo bastante “controlável” das marcas de consumo.

Chega-se, então à conclusão que apenas as ferramentas utilizadas no branding não são suficientes para lidar com esse caldeirão de culturas em constantes movimentos que são os lugares públicos pois, afinal, envolve pessoas com suas identidades, valores, distintos interesses, demandas, necessidades, etc.

As tradicionais disciplinas como Antropologia Cultural, Sociologia, Urbanismo, Ciências Políticas devem ser consideradas em um esforço de Place Branding, criando uma verdadeira e nova transdisciplina, na qual não se sabe ao certo onde uma começa e a outra termina.

E o Branding nessa história toda? Simples. É ele, junto com outra ferramenta que possui uma importante visão holística de projeto – o Design Estratégico – é que vai moldar, articular e dar sentido e significado a todas essas questões quando se trata em identificar ou reposicionar uma região, seja para a atração de turistas e de investimentos, exportação de produtos locais ou simplesmente para criar o fundamental, mas praticamente esquecido em diversas regiões,  sentimento de pertencimento em sua sociedade.

Em resumo, um projeto de Place Branding que não contempla a complexidade humana de uma região e simplesmente adapta as mesmas metodologias do mercado de consumo para se vender como estância de turismo ou qualquer outro setor sem coerência com a identidade cultural não passa de uma efêmera e irrelevante propaganda.”

O Blog do Tio Flávio é publicado às segundas e quintas-feiras.

* Gustavo Santos é designer com formação e especialização em Relações Internacionais, Sociologia e Antropologia Cultural pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Desenvolve projetos de comunicação e design há mais de 20 anos, com passagem pelas principais agências de design e publicidade do Brasil. Publicou o livro “Nation Branding: Construindo a imagem das Nações”. Teve seus textos e trabalhos publicados e exibidos em festivais e mostras no Brasil, Colômbia, Estados Unidos, França, Holanda e Rússia. Atualmente é sócio e diretor de criação na Polar Studio, empresa de Design Estratégico e pesquisador na isotipo.labs, thinktank de pesquisa e fomento em temas relativos ao Place Branding e Identidade Cultural. Ministra aulas e palestras sobre temas como Place Branding, Identidade Cultural e Desenvolvimento Territorial. Esteve em BH/MG a convite da CoolHow e em outubro irá palestrar no TEDxMauá sobre Design e Cidades.

Renascendo

outubro 5, 2012 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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Muita coisa aconteceu desde o último post, um cartão-postal visual do músico/designer mineiro Fabiano Fonseca.
Aos poucos vou colocando a vida em ordem e, os posts em dia !

Memórias sonoras (e visuais)

junho 2, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Mémorias de viagens sempre foram um dos melhores recursos para registrar experiências e sensações vividas em outros lugares. São únicas, pessoais e intransferíveis. E, não raro, a melhor e mais eficaz divulgação de uma região, pois é através desses relatos individuais que se constrói o imaginário coletivo.

O músico e designer mineiro Fabiano Fonseca está transformando suas memórias subjetivas em um projeto extremamente belo, rico e interessante: o Sonic PostCards, pequenos recortes sonoros do cotidiano das regiões em que visita, trabalha e vive. Uma forma única de sentir e absorver seu entorno através dos sons e ruídos, muitas vezes ignorados pela velocidade das coisas mas sempre presentes ao nosso redor.

Abaixo, o seu delicado olhar (e ouvido) para a pequena cidade de Beinasco, na Itália.

isotipo_lugares #006 // Pequim

maio 31, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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A CAPITAL DO NORTE

Texto e Imagens: Patricia Galves Derolle*

Não é à toa que a China é considerada um gigante . Tudo a seu respeito tem proporções consideráveis, desde sua geografia até o ego de seus governantes. É um país de contrastes, onde o muito antigo encontra o mais moderno e ambos convivem cordialmente. Por estes e tantos outros adjetivos resolvi desvendar uma parte dos mistérios desta terra. Aqui conto minha viagem para Pequim: a capital do norte.

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Cheguei a Pequim 2 dias depois do desastre no Japão. Alguns tremores foram sentidos em Xangai e outros poucos em Pequim, mas nada de grave aconteceu na China, que, mesmo não tendo bons relacionamentos com o Japão, enviou ajuda humanitária especializada para lá. Os jornais locais transmitiram todo o desenrolar da situação e fizeram questão de enfatizar a ajuda chinesa aos nipônicos.

A grande maioria dos canais pertence à rede estatal CCTV, que controla todas as programações. O canal de notícias desta mesma rede, além de ser em mandarim, também é transmitido em inglês. Os canais estrangeiros, como HBO, CNN, BBC, entre outros, têm atraso de ao menos 5 minutos da programação original, por terem que passar por censura, ou seja, se estes mesmos canais falarem mal da China ou se forem contra algo que a China acredita, a censura se ocupa da retaliação. Esta falta de informação, ou informação desviada, faz com que o sentimento nacionalista chinês seja elevado à décima potência.

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Embora Pequim tenha sido o palco das Olimpíadas de 2008, ainda é muito difícil se comunicar em inglês. As placas de trânsito, bem como os lugares turísticos, são bilíngues, muitos menus de restaurantes também, mas a população ainda encontra dificuldade em entender e se expressar no idioma estrangeiro. Quando conseguem ultrapassar esta barreira, falam com frases prontas e decoradas, como se tivessem estudado um curso intensivo de inglês “made in China”.  Claro que isto não se aplica a todos os lugares de Pequim. Longe disso está a rua Wangfujing, o centro de compras chique de Pequim. Lá se pode encontrar tudo o que está na moda, com preços mais altos até mesmo que na Europa, atendendo às novas classes média e alta.

Na direção oposta, estão o Pearl Market e o Silk Market. Nestes mercados lotados de estrangeiros, encontra-se todos os tipos de bugigangas, desde canetas Mont Blanc falsas a videogames Wu (sim, o Wii falso se chama Wu lá), de paletós Giorgio Armani a bolsas Dolce and Gabanna. É o paraíso dos pechinchadores, ou o inferno na terra daqueles que não gostam de negociar. Para se conseguir um bom preço, ou um preço justo, é necessário negociar, e muito. Os paulistanos que estão lendo este relato sabem do que estou falando, pois o cenário é o mesmo da Galeria Pajé, na nossa querida São Paulo.

O outro lado da China que me levou a realizar esta viagem foi a sua impressionante história, hoje observada em diferentes pontos de Pequim. Como é sabido, ao norte da cidade pode-se visitar uma parte da Grande Muralha, no centro estão a Cidade Proibida, a Praça Tian’anmen e o Museu de História Nacional, e, espalhados, estão todos os outros museus e galerias de arte, bem como os templos budistas e maoístas, tudo organizado em harmonia com os princípios do Feng shui.

A Grande Muralha é uma aula de história viva. A sua parte mais conservada foi a que visitei, com pedras de calcário originais, postas a mão uma a uma, formando caminhos e escadas que contornam a superfície da montanha. As torres entre os caminhos eram utilizadas como área de vigilância e transmitiam sinais de fumaça, entre outras formas, para alertar as torres vizinhas de algum perigo. A Muralha é de tirar o fôlego, bem como subir suas rampas inclinadíssimas com o vento que faz lá em cima. Diz a lenda que quem consegue subir é um herói. Talvez eu seja uma meia-heroína, já que tive ajuda do teleférico no começo, mas depois juro que subi tudo sozinha! Era impressionante ver os turistas chineses, já idosos, subirem a muralha sem reclamar. Eles iam devagar, sem apoiar nas beiradas, passo a passo. Via-se no rosto deles o orgulho de estar visitando uma parte histórica de seu país.

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A Cidade Proibida é outro lugar impressionante. Era a residência do imperador e de suas 3 mil concubinas na dinastia Ming; é um complexo que servia sobretudo como centro político da época. Várias construções interessantes estão localizadas lá; contudo, em minha opinião, a mais esplêndida é a Galeria da Suprema Harmonia.

Além de ser muito bem decorada por dentro, era o lugar mais importante da Cidade Proibida, pois era lá que o imperador encontrava as pessoas mais respeitáveis. A Galeria possui dez estatuetas em seu telhado, demonstrando que é uma construção de alto escalão. A quantidade de estatuetas nos telhados das construções mostrava quão importante o respectivo lugar era.

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A Cidade possui diversos portões de entrada, mas o principal é o Portão do Céu, e é nele que se encontra a famosa foto do Mao Tse Tung. Já do outro lado da larga avenida, encontra-se a maior praça do mundo: a Tian’anmen. Rodeada pelo Parlamento chinês, pelo Museu de História Nacional e pelo Memorial do Mao, é cheia de turistas (chineses e estrangeiros) e policiais. Para entrar nesta praça pública, é necessário passar por guardas devidamente uniformizados e por detectores de metais, além de colocar a bolsa em uma esteira de raio-x.

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Foi nesta praça que, pela primeira vez, senti-me uma verdadeira estrangeira. Camponeses e pessoas de outras províncias da China me viam como uma pessoa estranha/diferente, pois eu não era asiática. Eles apontavam, olhavam de perto, riam e eu não entendia nada. Meu guia, o imigrante mongol Tony, disse que eles eram pessoas bem simples, que nunca viram estrangeiros na vida, nem mesmo na televisão. A experiência foi esquisita, mas boa, e que me fez refletir sobre as influências ocidentais no mundo, ou, pelo menos, em partes do mundo.

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Depois da visita ao Museu de História Nacional, comecei a entender o exacerbado nacionalismo chinês. A história, pelo menos no museu, é contada pela ótica chinesa comunista, que expõe claramente os heróis chineses, a influência de Marx e Engels, um grandioso Lênin, bem como os motivos de se orgulhar de um país como a República Popular da China. Lá, as chamadas “nações imperialistas” não têm vez, são más. Ver os chineses lerem todos aqueles textos com olhos atentos, concordarem e tirarem fotos com todas as estátuas do Mao foi uma experiência indescritível.

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Na mesma semana em que estive em Pequim, o Primeiro-Ministro chinês Wen Jiabao anunciou ser inevitável a China se abrir politicamente, pois a lógica do mundo estava mudando, mesmo em seu próprio país. Entretanto, algumas semanas depois, este mesmo governo prendeu a artista e ativista social Ai Weiwei.

Em relação à cena artística de Pequim, visitei o bairro chamado 798 Art Zone, que antigamente funcionava como um complexo industrial e hoje passou a abrigar diversas galerias, estúdios fotográficos e lojas artesanais. É um lugar alternativo que combina tudo o que é novo e moderno, um lugar que dita influências na moda e nas artes chinesa e mundial frequentado por pessoas cool. Por ser um lugar tão vivo, parece que Pequim respira tranquila lá, sem censura e sem vigilância.

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A China é um país gigante que acredita em seus ideais, tem enraizado em si tradições milenares e é um ator internacional forte e competitivo. É uma das maiores economias do mundo, mas, ao mesmo tempo, possui problemas de direitos humanos e meio ambiente. É um lugar onde os paradoxos vivem harmoniosamente, em um caos organizado. E Pequim é o palco político e artístico de toda a China, peças essenciais do país. Xie xie, Beijing!

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* Patricia é formada em Relações Internacionais pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Trabalhou no Ministério das Relações Exteriores em São Paulo, no Consulado Brasileiro em Genebra, Suíça e na Missão Brasileira na ONU, também em Genebra. Atualmente é analista de tecnologia na União Internacional de Transportes Terrestres, na mesma cidade. Mora na Suíça desde 2009.  Seu e-mail é patygd@terra.com.br.

Sobre Peru, marcas e publicitários

abril 5, 2011 by isotipo.labs · 1 Comment 

O pequeno mas latente mundo do Place Branding está começando a sair da toca e mostrar à que veio. Uma disciplina ainda muito confundida com propaganda política, onde grandes agências – as maiores responsáveis pela criação desses projetos – ainda se utilizam de técnicas comuns de comunicação para o desenvolvimento desses projetos e, principalmente,  lida com a construção de uma marca de um país ou de uma região com o mesmo instrumental para a criação de uma marca de sabão em pó. Mas parece que aos poucos algo vai se transformando. Talvez a informação de que outros métodos e pensamentos são necessários esteja ficando mais evidentes e mais óbvios para todos os envolvidos. Pequenos cursos estão começando a surgir e orgãos oficiais estão se atentando para que não basta pagar para um grande nome da publicidade local cuidar de algo tão valioso, mas ainda muito sucateado.

Um caso interessante ocorrido esta semana foi a publicação do mini-artigo de Tânia  Savaget com o título ‘O branding para países, estados, cidades – Como seria no Rio? A hora é agora‘ no Blue Bus, tradicional site sobre notícias do mundo da propaganda, lido por 14 de 10 publicitários do nosso Brasil varonil. Como a Tátil foi a vencedora – com muito mérito – do concurso da marca das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, acabou se tornando o escritório com maior propriedade para falar sobre o assunto no Brasil. Mas é sempre bom lembrar que o processo de construção da marca, por mais belo que tenha sido – conforme o vídeo abaixo -, se resume apenas à uma marca que, apesar do evento ser de extrema importância para um processo de branding, é bastanate efêmero e está longe da complexidade de um projeto de marca para um país ou cidade.

Mas, então como pensar de forma consistente um objeto tão complexo como um país? Muito tem se feito mas pouco com relevância de fato. Pensar um projeto de uma marca não é mais apenas qual tipografia usar ou que ela deva representar – apesar de ser uma fase importante do processo – e sim o que está por trás deste projeto todo e qual o objetivo a se atingir. Normalmente ao se pensar uma marca de país se cria algo apenas para a promoção do setor turístico de determinada região. Os outros setores ficam só, perdidos num mar sem identidade.

A grande vedete deste ano é o novo projeto de marca para o Peru, nosso vizinho sulamericano. O Peru já tinha uma marca usada para o setor turístico, grande fonte de renda para o país, mas percebeu que com uma marca que transmitisse valores antigos e para um setor simplesmente não era mais viável, afinal a identidade de um país é de seu conjunto e não apenas para um determinado segmento. A FutureBrand de londres foi a responsável pela tarefa. Com a nova marca da Austrália e do arquipélago de Santa Lúcia no currículo e além de serem os responsáveis por um dos principais índices de classificação dos esforços de branding de países, mostraram neste novo projeto que de fato estão entendendo com profundidade como lidar com algo tão extenso e complicado quanto uma identidade nacional.

A marca Peru veio acompanhada de claros objetivos e com quem quer falar. Ao invés da grande maioria focar sua comunicação para a promoção do turismo, o Peru quer também atrair investimentos internacionais e usar como ferramenta principal de promoção dos seus produtos no exterior. Ou seja, a ideia é que a marca seja onipresente em tudo o que for relativo ao país, desde ações promocionais no Facebook até a fita para embalar seus produtos regionais. Até então, apenas a Suíça conseguiu colocar sua marca nacional no imaginário mundial. Se o Peru vai conseguir, é uma questão de tempo. Mas o primeiro passo foi dado da forma mais correta possível.

Para dar suporte ao lançamento da nova marca, o governo lançou o Marca Peru, um site onde todas as questões que envolvem a criação, o desenvolvimento, as pesquisas e os objetivos são detalhados de forma extremamente clara e envolvente. É um belo exemplo de organização e até de respeito com a sociedade peruana como um todo, a grande financiadora do projeto.

Abaixo, algumas imagens e o vídeo promocional da Marca Peru.

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isotipo_lugares #005 // Berlim

março 14, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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MEIN BERLIN

Texto e Imagens: Patricia Galves Derolle*

Viajar para Berlim era um sonho. Ansiava mais minha viagem para lá do que para Roma. Não sei por que dentro de mim tenho esta vontade de descobrir os mistérios da Alemanha, mas tenho. E é muito difícil escrever sobre esta cidade, pois gostaria que este texto mostrasse com humildes palavras a sensação de estar em uma grande metrópole que foi e continua sendo importante para o mundo. Enfim, como gosto muito de um desafio, vou tentar expor aqui as minhas impressões do lugar. Aproveitem a leitura.

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Berlim é mesmo tudo o que eu imaginava: uma cidade com muitas cicatrizes do passado e um ar futurístico que só ela mesma poderia ter. Ainda se ouve por lá as expressões “Berlim Oriental” e “Berlim Ocidental”, marcas deixadas por um infeliz muro construído e que nunca serão apagadas da história. Aliás, que eles preferem que não sejam mesmo apagadas, pois para eles o passado deve ser sempre lembrado a fim de que não se repita jamais os mesmos erros no futuro: nie mehr, ou nunca mais, também são palavras bem presentes no vocabulário. Admiro a mentalidade bastante distinta deste povo que encara com maturidade os problemas, possui uma vontade imensa de superar seus próprios limites e é de uma precisão invejável. Quando digo precisão, quero dizer pontualidade e organização. São claramente estereótipos, mas que decerto definem bem o alemão.

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Não tem como escrever um texto sobre Berlim e não falar da história que correu pelas veias de concreto da cidade. E ela percorre com mais intensidade em todos os prédios antigos, como o Charlottenburg Schloss, o complexo de museus – Museuminsel – e o Bundestag. Enquanto os primeiros traduzem a arquitetura mais fina e admirada da época, o último foi o símbolo da queda de Hitler, invadido e tomado pelos russos, os quais picharam todo o interior do prédio com nomes, datas e frases de liberdade. Estas marcas demonstradas pela arquitetura ou as feridas nas paredes te transportam para um passado paradoxal, no qual em uns prédios pode-se admirar toda a ascensão alemã, a literatura de Goethe e as músicas de Bach e em outros o triste e sombrio episódio da Segunda Guerra Mundial.

O muro ainda existe. Está lá, claro que em uma proporção menor, às margens do rio Spree, em frente à Estação de trem principal. Hoje ele serve de tela para obras de arte em forma de grafite. Alguns gostam, outros não. Eu acho original: em Berlim tudo é atípico, e essa street art traz um tom de revolta dos cidadãos para com os acontecimentos históricos.

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Em Berlim existem também arranha-céus, grandiosos, imponentes e modernos, bem ali na Potsdamer Platz. Lojas de departamento de todos os tipos, que oferecem algo diferente em cada andar, também são bastante presentes em todos os cantos da cidade. A KaDeWe (Kaufhaus des Westens) que é a maior e a mais famosa loja de departamento da Europa, foi construída em 1905, por Adolf Jandorf. E como tudo em Berlim sofreu na era Nacional Socialista, com a KaDeWe não foi diferente: em 1933 um grupo bancário exigiu a saída dos então donos judeus e os substituiu por pessoas da “raça ariana”; em 1943 a KaDewe foi parcialmente destruída devido à queda de um avião americano, mas, como tudo sempre acaba bem, em novembro de 1989, com a queda do muro, a loja bateu recorde em compras. Se Hitler soubesse…

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A história da KaDeWe talvez represente a trajetória de muitos berlinenses, que sofreram nas mãos de um ditador, mas que no fim superaram  todos os obstáculos. E é ótimo ver essa Berlim do futuro, recuperada, a Land der Ideen, que começou engatinhando com o estilo curioso do Bauhaus e atualmente lidera em tecnologia de ponta.  E é em Berlim onde tudo começa, essa mesma Berlim que por um lado tem cicatrizes cravadas em seu DNA e por outro é magica e que engloba tudo o que uma cidade precisa: eficiência e modernidade, com muita e muita história.

Hier, schreibe ich ein kleinen Tribut für meinen lieblings Stadt in der Welt. Ich liebe Berlin.

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* Patricia é formada em Relações Internacionais pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Trabalhou no Ministério das Relações Exteriores em São Paulo, no Consulado Brasileiro em Genebra, Suíça e na Missão Brasileira na ONU, também em Genebra. Atualmente é analista de tecnologia na União Internacional de Transportes Terrestres, na mesma cidade. Mora na Suíça desde 2009. Seu e-mail é patygd@terra.com.br.

Pensar e fazer !

março 11, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Quando se fala de Nation Branding, Place Branding, Marketing Territorial ou qualquer outro neologismo para tentar organizar dentro de uma área do conhecimento um assunto tão complexo como a manutenção da imagem de uma região, sua reidentificação, seu posicionamento perante seus “concorrentes” e, consequentemente, seu desenvolvimento econômico e social como objetivo final, muito se erra ao imaginar que um esforço deste porte seja resolvido apenas pela comunicação pois, diriam os incautos, afinal de contas estamos falando de branding. Nation Branding ou o quer que seja.

Talvez este seja um dos motivos pelos quais grande pensadores e consultores da área estão – pouco a pouco – abandonando a palavra branding de seus vocabulários.  Uma disciplina natimorta – diriam alguns – pois ela não dá conta da complexidade material e imaterial de um país ou de um lugar. Talvez o branding aplicado à países, estados, cidades, bairros, ruas, etc ainda não esteja morto como profetizam, mas já é consenso que é apenas a expressão final de algo muito maior, ou seja, um projeto de reidentificação, planejamento, gestão e governança onde o branding seja apenas a ponta final.

Aqui na América do Sul apenas o Chile tenha entendido um pouco mais profundamente o papel do branding em suas ações de posicionamento como um país inovador na região, principalmente após o projeto Start Up Chile onde vemos o branding apenas como construção da comunicação de um projeto de atração de talentos, empreendedores e investimentos com o claro objetivo do país se tornar o principal e mais relevante hub de inovação e tecnologia da América Latina.

A ideia é muito simples: em 2011 eles querem atrair cerca de 300 equipes com projetos inovadores para serem aplicados e desenvolvidos no Chile. Em contra partida, o governo chileno te dá 40 mil doláres para iniciar o projeto, um espaço de trabalho e um visto de 1 ano de trabalho. Em 2010, 25 projetos foram iniciados e já estão em desenvolvimento.

Ou seja, um esforço real e eficaz de Nation Branding não pode e nem deve se basear apenas no branding.

Abaixo, o vídeo de divulgação do projeto.

Todos os olhos

fevereiro 15, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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Dizem por aí que agora é a vez do Brasil.

Nunca antes na história desse país tanto se falou e se acreditou em nós. Pelo menos através de outros olhos, os dos estrangeiros. Apesar de abismos sociais dignos de um 8º mundo e absurdos saídos de uma ficção científica qualquer, o Brasil parece estar tentando botar a casa em ordem. E, de certa forma, isso está reverberando por outras bandas. Talvez seja pela estagnação européia ou pela crise interminável nos Estados Unidos, mas de fato o Brasil é o novo eldorado dos colonizadores 2.0. Um interesse sem precedentes por nós, meros sul-americanos sem pecados, parece dominar o chamado mundo sem fronteiras. Uma espécie de pulga atrás da orelha, se perguntando: afinal de contas, o que acontece lá embaixo da linha do equador?

Inevitavelmente o Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além de outros detalhes sem importância,  são os grandes responsáveis pelo nosso protagonismo mundial, mas também sabemos que eventos esportivos, apesar de globais, sozinhos não são o suficientes para manter uma audiência por muito tempo. Precisa ter lastro, algo que mantenha uma certa relevância. Não sabemos ainda se nossa ribalta é efêmera, mas existe algo em nosso ar e em nossa água que começa a fazer sentido além-mar. A Wallpaper celebra a nossa cultura, nosso design e nossas cidades. A Monocle festeja nossa diplomacia. O Le Monde desvenda nossa história. A The Economist preveu nossa decolada e nosso protagonismo numa América Latina cada vez mais forte, apesar de algumas democracias frágeis. Enfim, todos falam e todos querem o Brasil. Mas o que querem todos? Um pedaço do bolo, claro. Não é novidade que o Brasil de 2011 realmente deu alguns passos em direção à algo maior, ao contrário do resto do planeta, exceto a China, obviamente. O indíce de confiança aumentou e o Brasil, apesar de tudo, se apresenta como um país um pouco mais sério. E seriedade – mesmo na mais profunda alegria -  é o mínimo que se espera de qualquer região que pretende construir uma imagem de relevância.

Me lembro de uma palestra onde alguém disse que o Brasil sempre foi conhecido como o país dos 3 S’s: Samba, Sex, Soccer. Desnecessária a tradução. Dizem que a diretriz do Governo Federal para o Ministério das Relações Exteriores e para a APEX – orgãos responsáveis pela promoção da imagem nacional no exterior -, para a construção de nossa nova imagem é à partir do anagrama TOTAL: Tecnologia, Organização, Trabalho, Autenticidade e Lei. Dizem também que ordem não combina com progresso. Mas, num momento raro de ufanismo e otimismo, quem sabe realmente não chegaremos lá? Nos resta saber a nós, brasileiros, onde é lá.

Bom, alguém acredita que já estamos lá. Os pragmáticos ingleses do Financial Times chegaram primeiro e já estão contando para todos os lados que agora o lugar é aqui. Nada de China, Índia e Rússia, RIC’s que sem o nosso B não tem sonoridade nem bossa alguma. Com módicos £4,000 (libras!) anuais você, investidor internacional, pode saber tudo o que a baiana tem e aprender o caminho das pedras para faturar alguns milhões por aqui. Lançado em janeiro de 2011,  Brazil Confidential é o novo serviço da Financial Times que consiste em uma asisnatura anual (aquelas libras na linha anterior) para ter informações privilegiadas, análises e insights sobre – segunda a publicação – o mais excitante mercado emergente do mundo.

Já em dezembro de 2010, nossos irmãos da América do Norte começaram a se incomodar com o nosso braulho. O celebrado 60 Minutes da CBS dedicou alguns bons minutos de sua programação à tentar descobrir se somos um país sério pois, afinal de contas – segundo eles – tivemos o político mais popular do mundo e estamos vertiginosamente em direção a ser a 5ª maior potência econômica mundial. E para não ficar no achismo, Eike Batista, Eduardo Bueno – o historiador – e Lula foram os escolhidos para contar essa pequena história de uma revolução econômica e social em curso, que levará o Brasil à outros níveis.

Mais uma vez somos a cereja do bolo. Uma horda estrangeira está chegando, buscando insacialvelmente um pedaço do nosso quitute econômico. Cabe a nós divdir esse bolo antes da chegada e, quem sabe, deixar a cereja para eles.

A hora de pensar, construir e fazer um país sério é agora. Um país sério, mas sem esquecer o carnaval, o futebol e o samba afinal, Deus é brasileiro.

Abaixo o vídeo do 60 Minutes sobre a epopéia brasileira.

Aprendendo uma cultura

fevereiro 8, 2011 by isotipo.labs · 1 Comment 

Vilém Flusser, linguísta e filósofo da comunicação e do design, afirmou no seu ‘Língua e Realidade’ (1963) que conhecer várias línguas é transitar por vários mundos e, consequentemente, por realidades distintas. Ou seja, para conhecer e viver pronfudamente uma nova cultura e entender os hábitos de uma outra sociedade, nada mais óbvio do que falar sua língua, um dos grandes pilares da formação da identidade de um povo.

Quando Flusser escreveu sobre transitar por diversas realidades ao falar várias línguas, estava claro que ele estava pensando sobre como o aprender uma nova língua é viver em sua essência uma outra cultura. E, como já é mais do que sabido, a melhor forma de apredender a língua local é viver a cultura local, coisas tão indissociáveis quanto fundamentais.

Muito mais que um simples comercial para uma escola de línguas, os vídeos abaixos traduzem de forma extremamente bela e contemporânea essa sutíl relação entre língua e cultura.

Pripyat, uma trilha sonora imaginada

janeiro 5, 2011 by isotipo.labs · 3 Comments 

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Por volta de 2002, numa internet onde as redes sociais engatinhavam e as informações tinham que ser de fato garimpadas, caí meio que por acaso no site da fotógrafa ucrâniana Elena Filatova, que tinha com hobbie viajar de moto, sozinha, por áreas abandonadas e esquecidas de seu país, fotografando o que via e publicando em seu site. Um desses lugares foi Pripyat, uma pequena cidade construída em 1970 ao largo da usina de Chernobyl. Na época em que a cidade foi retratada pela fotógrafa, Pripyat era um lugar esquecido e abandonado, devido ao enorme índice de radiação existente na região, localizada dentro de uma área chamada zona de alienação pelo governo ucraniano. Ou seja, uma cidade fantasma.

Ao ver as fotos de Elena, fui absorvido por uma sensação estranha, uma mistura de curiosidade e tristeza por aquelas imagens silenciosas e repletas de significados contraditórios.

A União Soviética sempre me cativou de alguma forma. Muito menos pelo seu sistema político e ideológico mas sim pela sua estética, a concepção e construção de suas imagens e, principalmente, pelo seu lado humano não divulgado, quase que desconhecido mas bastante imaginado. Aquela intransponível barreira cultural, as especulações feitas pelos ocidentais e, principalmente, pelo seu legado histórico fez de mim um grande observador daquela região. Os erros cometidos durante sua existência como uma república socialista tinha um certo charme mambembe, apesar de nunca ignorar suas consequências políticas, humanas e sociais. Mas era inevitável o fascínio que todo aquele projeto de nação, de sociedade e, por que não, de uma nova ordem mundial que era emanada, mesmo dentro de uma distopia e sempre com a consciência de sua vulnerabilidade, de sua falibilidade como algo factível.

Mas imagens de Elena eram diferentes. Apesar de uma sombria beleza, revelou, 16 anos depois, o fracasso de uma utopia, do tal projeto de uma nova sociedade baseada num sistema natimorto e mequetrefe que era o comunismo ou, para ser um pouco mais exato, o tal do socialismo real. Até então, niguém tinha ido à aquela região, onde as radiações ainda são extremamente maléficas a qualquer ser vivo e teve seu solo e água condenados por mais de 2500 anos.

Durante seus 16 anos de existência, Pripyat foi a menina dos olhos do sistema soviético. Construída no meio do nada para servir de moradia para os funcionários da usina e de lazer e educação para seus filhos e familiares, a pequena cidade era o modelo a ser seguido e aplicado em todas as cidades socialistas até então. Era a perfeitra aplicação da doutrina urbanística comunista: moradia, saúde, trabalho, educação e lazer igualitária, uma cidade pensada para as pessoas, com amplos parques, áreas de lazer, escolas. Ruas largas, extremamente floridas e grandes edifícios de moradia coletiva foram construídos. Era  o oposto daquela imagem das cidades cinzentas, escuras e frias que se tinha na época. Muitos soviéticos aspiravam morar em Pripyat. Era o degrau máximo daquela sociedade, que deveria ser expandida para todas as cidades que faziam parte do bloco.

Mas em 1986 tudo isso mudou. Localizada apenas à 25km de Chenobyl, a cidade foi a primeira a ser afetada após a explosão de um dos reatores da usina. Como todo o acidente foi encoberto pelo governo soviético, a população de Pripyat só foi evacuada da área de risco dois dias depois da catástrofe. Mas o estrago já estava feito. Quase toda a população de cerca de 50.000 pessoas foi afetada de alguma forma pela radiação. As que sobreviveram foram obrigadas a abandonar todos seus pertences e suas vidas. Foram embora apenas com a roupa do corpo. As imagens de Elena mostram esse exato momento, como se aquele lugar tivesse sido congelado pelo tempo: a mesa de café posta, as bonecas abandonadas nas casas, os livros escolares abertos nas salas de aula, etc.

Hoje Pripyat virou um improvável mas concorrido roteiro turístico. Vários pacotes – incentivados pelo governo da Ucrânia – permitem passar horas e até dias na região, visitar os edifícios tomados pela insistente vegetação e tentar ouvir o ensurdecedor silêncio que deve reinar por aquelas bandas. Um repórter da Revista Trip fez um relato interessante de um desses roteiros.

Ao ver pela primeira vez as imagens de Pripyat, um filme imaginário me veio à cabeça: como eram e como viviam essas pessoas? Qual eram suas rotinas? O que faziam antes do acidente e como se comportaram ao saber que teriam que abandonar tudo, sem saber porque e para onde?

O filme ficou só na vontade, mas o silêncio das imagens de Elena provocou um exercício de pensar qual seria a trilha sonora desse filme imaginário. Vasculhando os bits do passado, me lembrei que de fato tinha feito essa trilha. Abaixo disponibilizei a trilha completa – cerca de 1h10m -  e a respectiva ordem das músicas.

As músicas foram organizadas em uma ordem imaginária dos acontecimentos: a inauguração da cidade e a euforia da promessa de uma organização social moderna e vibrante; a vida cotidiana de seus moradores, o passeio no parque, a saída para o trabalho, a ída para a escola, as festas e os bailes nos bares e clubes; o acidente, a sensação de algo estranho acontecendo, a desinformação geral e a angústia pelo destino desconhecido; o caos geral, a evacuação silenciosa e a vida deixada para trás e, por fim, o abandono, a geração quase espontânea de uma cidade-fantasma aos 16 anos, os pertences pessoais à espera de seus donos e a natureza fazendo seu papel de, aos poucos, eliminar um sonho constrúido mas fadado ao fracasso.

Enfim, um livre exercício de imaginar como seria a trilha sonora de um dos momentos mais controversos da história da humanidade.

Abaixo, uma seleção das imagens de Elena Filatova que inspiraram essa seleção musical. Recomendo ver as imagens enquanto se escuta a trilha para tentar “sonorizar” os ambientes retratados.

As fotos que estão publicadas nesse post foram escolhidas mais pelo impacto inicial que tive ao vê-las em 2002 e pelo seu ineditismo como registro fotográfico do que pela qualidade técnica ou artística. Para ver fotos atuais e de melhor qualidade da cidade de Pripyat e da Usina de Chernobyl, clique aqui.

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Playlist:

01. Dimitri Shostakovich / Chamber Symphony for Strings, OP. 110A – Allegro Molto (Attacca)
02. Threnody Ensemble / Tharoman (Former Valerie White) Part II
03. The Cinematic Orchestra / All That You Give
04. Henry Cowell / II High Color
05. Maurice Pavel / Gaspard de la Nuit (Le Gibet)
06. Dimitri Shostakovich / Chamber Symphony for Strings, OP 110A – Largo
07. Harold Budd with Zeitgeist / Pantomime
08. Karlheinz Stockhausen / 53 20
09. Nathaniel Merriweather / Strokers Ace
10. Harold Budd with Zeitgeist / Breathless
11. Henry Cowell / Hero Sun
12. Morton Feldman / Only
13. Harold Budd / The Room (Fila Brazilla Mix)
14. Karlheinz Stockhausen / 29 53
15. Henry Cowell / Exulation
16. Morton Feldman / Voice, Violin, Piano
17. John Cage / In the Name of the Holocaust

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Foto: Vivo (Ben)

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As fotos publicadas nesse post são de autoria de Elena Filatova, exceto às imagens de arquivo e as devidamente creditadas aos seus autores.

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