isotipo_lugares #005 // Berlim

março 14, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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MEIN BERLIN

Texto e Imagens: Patricia Galves Derolle*

Viajar para Berlim era um sonho. Ansiava mais minha viagem para lá do que para Roma. Não sei por que dentro de mim tenho esta vontade de descobrir os mistérios da Alemanha, mas tenho. E é muito difícil escrever sobre esta cidade, pois gostaria que este texto mostrasse com humildes palavras a sensação de estar em uma grande metrópole que foi e continua sendo importante para o mundo. Enfim, como gosto muito de um desafio, vou tentar expor aqui as minhas impressões do lugar. Aproveitem a leitura.

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Berlim é mesmo tudo o que eu imaginava: uma cidade com muitas cicatrizes do passado e um ar futurístico que só ela mesma poderia ter. Ainda se ouve por lá as expressões “Berlim Oriental” e “Berlim Ocidental”, marcas deixadas por um infeliz muro construído e que nunca serão apagadas da história. Aliás, que eles preferem que não sejam mesmo apagadas, pois para eles o passado deve ser sempre lembrado a fim de que não se repita jamais os mesmos erros no futuro: nie mehr, ou nunca mais, também são palavras bem presentes no vocabulário. Admiro a mentalidade bastante distinta deste povo que encara com maturidade os problemas, possui uma vontade imensa de superar seus próprios limites e é de uma precisão invejável. Quando digo precisão, quero dizer pontualidade e organização. São claramente estereótipos, mas que decerto definem bem o alemão.

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Não tem como escrever um texto sobre Berlim e não falar da história que correu pelas veias de concreto da cidade. E ela percorre com mais intensidade em todos os prédios antigos, como o Charlottenburg Schloss, o complexo de museus – Museuminsel – e o Bundestag. Enquanto os primeiros traduzem a arquitetura mais fina e admirada da época, o último foi o símbolo da queda de Hitler, invadido e tomado pelos russos, os quais picharam todo o interior do prédio com nomes, datas e frases de liberdade. Estas marcas demonstradas pela arquitetura ou as feridas nas paredes te transportam para um passado paradoxal, no qual em uns prédios pode-se admirar toda a ascensão alemã, a literatura de Goethe e as músicas de Bach e em outros o triste e sombrio episódio da Segunda Guerra Mundial.

O muro ainda existe. Está lá, claro que em uma proporção menor, às margens do rio Spree, em frente à Estação de trem principal. Hoje ele serve de tela para obras de arte em forma de grafite. Alguns gostam, outros não. Eu acho original: em Berlim tudo é atípico, e essa street art traz um tom de revolta dos cidadãos para com os acontecimentos históricos.

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Em Berlim existem também arranha-céus, grandiosos, imponentes e modernos, bem ali na Potsdamer Platz. Lojas de departamento de todos os tipos, que oferecem algo diferente em cada andar, também são bastante presentes em todos os cantos da cidade. A KaDeWe (Kaufhaus des Westens) que é a maior e a mais famosa loja de departamento da Europa, foi construída em 1905, por Adolf Jandorf. E como tudo em Berlim sofreu na era Nacional Socialista, com a KaDeWe não foi diferente: em 1933 um grupo bancário exigiu a saída dos então donos judeus e os substituiu por pessoas da “raça ariana”; em 1943 a KaDewe foi parcialmente destruída devido à queda de um avião americano, mas, como tudo sempre acaba bem, em novembro de 1989, com a queda do muro, a loja bateu recorde em compras. Se Hitler soubesse…

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A história da KaDeWe talvez represente a trajetória de muitos berlinenses, que sofreram nas mãos de um ditador, mas que no fim superaram  todos os obstáculos. E é ótimo ver essa Berlim do futuro, recuperada, a Land der Ideen, que começou engatinhando com o estilo curioso do Bauhaus e atualmente lidera em tecnologia de ponta.  E é em Berlim onde tudo começa, essa mesma Berlim que por um lado tem cicatrizes cravadas em seu DNA e por outro é magica e que engloba tudo o que uma cidade precisa: eficiência e modernidade, com muita e muita história.

Hier, schreibe ich ein kleinen Tribut für meinen lieblings Stadt in der Welt. Ich liebe Berlin.

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* Patricia é formada em Relações Internacionais pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Trabalhou no Ministério das Relações Exteriores em São Paulo, no Consulado Brasileiro em Genebra, Suíça e na Missão Brasileira na ONU, também em Genebra. Atualmente é analista de tecnologia na União Internacional de Transportes Terrestres, na mesma cidade. Mora na Suíça desde 2009. Seu e-mail é patygd@terra.com.br.

Pensar e fazer !

março 11, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Quando se fala de Nation Branding, Place Branding, Marketing Territorial ou qualquer outro neologismo para tentar organizar dentro de uma área do conhecimento um assunto tão complexo como a manutenção da imagem de uma região, sua reidentificação, seu posicionamento perante seus “concorrentes” e, consequentemente, seu desenvolvimento econômico e social como objetivo final, muito se erra ao imaginar que um esforço deste porte seja resolvido apenas pela comunicação pois, diriam os incautos, afinal de contas estamos falando de branding. Nation Branding ou o quer que seja.

Talvez este seja um dos motivos pelos quais grande pensadores e consultores da área estão – pouco a pouco – abandonando a palavra branding de seus vocabulários.  Uma disciplina natimorta – diriam alguns – pois ela não dá conta da complexidade material e imaterial de um país ou de um lugar. Talvez o branding aplicado à países, estados, cidades, bairros, ruas, etc ainda não esteja morto como profetizam, mas já é consenso que é apenas a expressão final de algo muito maior, ou seja, um projeto de reidentificação, planejamento, gestão e governança onde o branding seja apenas a ponta final.

Aqui na América do Sul apenas o Chile tenha entendido um pouco mais profundamente o papel do branding em suas ações de posicionamento como um país inovador na região, principalmente após o projeto Start Up Chile onde vemos o branding apenas como construção da comunicação de um projeto de atração de talentos, empreendedores e investimentos com o claro objetivo do país se tornar o principal e mais relevante hub de inovação e tecnologia da América Latina.

A ideia é muito simples: em 2011 eles querem atrair cerca de 300 equipes com projetos inovadores para serem aplicados e desenvolvidos no Chile. Em contra partida, o governo chileno te dá 40 mil doláres para iniciar o projeto, um espaço de trabalho e um visto de 1 ano de trabalho. Em 2010, 25 projetos foram iniciados e já estão em desenvolvimento.

Ou seja, um esforço real e eficaz de Nation Branding não pode e nem deve se basear apenas no branding.

Abaixo, o vídeo de divulgação do projeto.