isotipo_lugares #004 // Luang Prabang

novembro 23, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment 

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APENAS UM OLÁ

Texto e Imagens: Gabriel Prehn Britto*

“Sa-ba-dii”.

Foi ao pronunciar pela primeira vez o cumprimento local que percebi que Luang Prabang, no Laos, era um lugar especial: eu estava diante de um guarda de fronteira sorridente, no aeroporto da cidade, e ele estava me ensinado a dizer “olá” na sua língua.

Não sei você, mas eu nunca havia visto um guarda de fronteira sorridente.

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Luang Prabang, é uma das cidades mais bem preservadas do Sudeste Asiático. É cortada pelo Rio Mekong, foi a capital real do país e hoje tem 26 mil habitantes e dezenas de templos budistas com monges que fazem um passeio matinal über-fotografado pelos turistas.

Porém analisando friamente, nenhuma atração turística de lá é imperdível. Não há um templo fantástico. O antigo palácio real é bonito, mas parece uma casa de fazenda com telhado diferente. A própria rua principal, com suas construções preservadas que deram à cidade o título de Patrimônio Cultural da Unesco, não é nada que encha os olhos. O artesanato não é melhor ou pior do que você encontra em outros lugares e a gastronomia perde para a cambojana.

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No entanto, Luang Prabang é imperdível. E o maior responsável por isso é justamente o “sabadii” que seus habitantes repetem para você em todos os lugares, sempre acompanhado de um largo sorriso.

O clima budista, as ruas tranquilas, os morros e montanhas verdes ao redor, as árvores por todos os cantos, o misticismo do Mekong, os monges, os templos (dezenas deles), as casas baixas, as pessoas simples, as comemorações do ano-novo laosiano (com guerra de água nas ruas), o café gelado para aliviar o calor, o dormir e levantar cedo, as crianças brincando, o outro lado do Mekong. Tudo isso ajuda o turista a se encantar por Luang Prabang. Mas sem o “sabadii”, não seria a mesma coisa.

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O “sabadii” toca fundo. Faz sentir vontade de abraçar, de rir. De raspar a cabeça, colocar um robe cor de laranja e virar monge. De ajoelhar diante de uma imagem de Buda (mesmo sem saber se é permitido). Faz acordar cedo em plenas férias para ver as cenas lindas da Coleta de Almas. Esfria o calor laosiano. Transforma café preto gelado em uma bebida inesquecível. Nos faz subir um morro enorme, num calor de 45 graus, para ver a paisagem lá de cima. Faz ter vontade de trocar a passagem e ficar mais uns dias na cidade. Faz você se sentir um morador, em casa. Faz você ter vontade largar tudo e realmente virar um morador no Laos.

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O “sabadii” deveria ser tombado como patrimônio da humanidade. Junto com Luang Prabang, ele é mais lindo do que qualquer maravilha do mundo.

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* Gabriel Prehn Britto é publicitário metido com internet, blogueiro, viajante (menos do que gostaria) e viciado em iPhone. Autor, dono e culpado pelo site/blog O Que Eu Fiz Nas Férias. Sonha em ser rico e poder colocar um mapa-múndi na parede para atirar dardos e viajar para onde eles caírem. Seu e-mail é gabebritto@hotmail.com

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