Um atlas subjetivo da Palestina
dezembro 10, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment
No início dessa semana o presidente Lula (há menos de 20 dias do final do seu mandato) reconheceu publicamente a Palestina como Estado independente e com as fronteiras de 1967, antes da antes da Guerra dos Seis Dias. Ou seja, com uma quantidade de território consideralvemente maior do que a dos dias de hoje, que se resume basicamente a Faixa de Gaza e a região da Cisjordânia. À partir desse reconhecimento brasileiro, qual é de fato será seu efeito na comunidade internancional? Bem pouco, provavelmente. O Brasil acredita que o reconhecimento ajudará no processo de paz com Israel, mas é bem possível que nada mude com essa declaração brasileira. Os mais polêmicos e conspiradores vão achar que é mais uma ação anti-americana e esquerdista do governo Lula, que apoia governos ditatoriais, corruptos e terroristas, etc, etc. Os otimistas vão dizer que é uma tentativa de ajudar num processo tão complicado quanto uma briga de família. E os pragmáticos vão afirmar que é mais uma jogada da diplomacia brasileira em busca de relevância no circuito político internacional. Mas não é isso o que nos interessa nesse momento. Deixemos essa questão para analistas internacionais e afins. O que nos interessa aqui é o aspecto cultural dessa história toda.
Afinal, quem são os Palestinos? Sabemos que são árabes, mas como é o dia-a-dia em suas cidades sitiadas e praticamente esquecidas do mundo ocidental dito civilizado? O que comem, o que escutam, o que leem, o que conversam, o que falam, o que pensam?
Foram essas mesmas perguntas que motivaram o designer holandês Annelys de Vet a investigar um pouco mais à fundo o tema para criar o Subjective Atlas of Palestine, um compêndio – teoricamente – desprovido de julgamentos ideológicos, históricos e etnocentristas. A ideia foi basicamente compilar a rotina dessas pessoas através dos seus hábitos alimentares, culturais, informativos, ou seja, cotidianos. O resultado é um belo livro, riquíssimo em imagens e informações que podemos identificar – independente de questões políticas e religiosas – a essência desse povo que sempre nós é apresentado nos extremos: ou o maior vilão ou a grande vítima.
Se Annelys conseguiu ser isento na sua pesquisa, eu tenho minhas dúvidas, mas isso não desmerece em hipótese alguma o rico e completo retrato de uma sociedade milenar em situações extremamente corriqueiras.
O livro está disponível para download no site do projeto. Vale a pena também ver os outros atlas do designer: o da Sérvia e da Holanda.




Japão, um país estranho
março 22, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment
O designer japonês Kenichi Tanaka, num exercício interessante de auto-reflexão, desenvolveu uma tese de como seu país era visto pelos olhos estrangeiros. Para isso, criou um vídeo onde dados tradicionais como o alto índice de desenvolvimento humano ou o segundo maior PIB do mundo são associados a certas peculiaridades típicas daquela sociedade, como os olhos pequenos, a tímidez de seu povo e o fascínio quase descontrolado de suas mulheres por dietas e marcas ao mesmo tempo que são apaixonados por fast food. O resultado, abaixo, é um divertido e belo retrato da sociedade japonesa, mesmo que carregado de humor e uma certa exarcebação de clichês.
Design para a África
março 7, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment


O estúdio de design californiano Stolen ficou impressionado com as estatísticas nada favoráveis das nações do continente africano. Números impressionantes como a expectativa de vida de 31 anos de Moçambique oua informação de que a cada 63 habitantes de Botsuana, 37 são portadores do vírus da AIDS, serviram de inspiração para uma série de camisetas onde esses dados de vários países daquele continente são divulgados a partir de um belo trabalho de data vizualization. O projeto, chamado de StatAttak, colocou a venda essas camisetas com o objetivo de doar 20% de todo o valor arrecadado para um grupo de voluntários que vão construir um orfanato em Moçambique, país que inspirou todo o projeto. Segundo o site, ao invés de entregar esse dinehiro para terceiros, os designers vão pessoalmente até ao país para entregar o valor da doação e acompanhar de perto o projeto. Bonito e interessante.
Abaixo, mais algumas imagens do projeto.




A burocracia pelo mundo
fevereiro 27, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment
Diariamente, no caminho para o trabalho, passo em frente a uma região popular e em considerável transformação devido as obras do metrô. Cada dia vejo algo novo, mesmo que seja em microsegundos, dentro do carro. Mas o que sempre me impressiona é uma pequena loja de porta de metal aberta para a rua, onde em um letreiro escrito à mão pode-se ler: Serviços em Advocacia. Dentro da loja encontra-se apenas uma escrivaninha, uma antiga máquina de escrever sobre à mesa, pilhas e pilhas de papel, duas cadeiras a espera de um cliente e um senhor negro de terno mal cortado. Ao mesmo tempo que essa cena não condiz com os suntosos e encarpetados escritórios de advocacia do nosso imaginário, essa simplória loja faz muito mais sentido no tipo de sociedade em que vivemos do que possamos imaginar.
O Brasil é um país calcado em burocracias tão complexas que deixaria Franz Kakfa assustado. E, infelizmente, essa é uma das imagens que o Brasil exporta para o mundo, principalmente quando falamos em negócios internacionais. Em países com bolsões de pobreza gigantescos como o Brasil, a burocracia serve como uma espécie de mantenedora de uma hierarquia imaginária, onde o caos de formulários e números segrega as pessoas, dando poder e função a pessoas ordinárias para que essas continuem a rodar o programa no qual nem mesmo elas sabem para que servem.
O fotógrafo holandês Jan Banning viajou por vários países como China, Estados Unidos, Bolivia, Libéria, India, Yemen, Russia e outros onde fotografou a burocracia local, confirmando que essa segregação ainda faz sentido, infelizmente . O resultado, o quer pode ser visto em algumas imagens abaixo, é de uma crueza extremamente assustadora e familiar e, por que não, bela.
A loja de advocacia do senhor negro no Largo do Batata, em São Paulo, observando mais atentamente, na verdade não destoa tanto de nossa realidade, pelo menos não por enquanto.







Roadtrip 2009
fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment
Post originalmente publicado em: December 1, 2009


Cada vez mais o recurso de data vizualization é usado para demonstrar graficamente desde complexas informações de gastos governamentais até prosaicos dados do dia a dia. Desta vez é o designer norueguês Ole Østring que resolveu mensurar sua última viagem de verão pela Europa, resultando em belos gráficos baseados nas distâncias viajadas, custos da viagem, meios de transporte utilizados, etc. Østring foi tão a fundo na ideia de compilar as informações de suas férias que até criou uma ferramenta onde é possível navegar pelo poster, que acabou sendo a mídia escolhida pelo designer para apresentar esses dados.
O resultado e outras imagems desse experimento de data visualization pode ser visto aqui.
… e dos impérios
fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment
Post originalmente publicado em: November 26, 2009
Pedro Miguel Cruz é um designer especialziado em vizualização de dados, ferramenta indispensável nos dias de hoje para a tradução da complexa quantidade de informação que circula pelo mundo em uma linguagem palatável, interessante visualmente e de fácil acesso. É a nova e ascendente disciplina chamada Aesthetics Information, onde cada vez mais as informações duras estão se transformando em belos gráficos, democratizando assim o acesso a conteúdos antes restritos aos círculos de estatísticos e matemáticos.
Para entender até onde a visualização de dados pode ajudar a entender a força de uma mensagem, Pedro dedica seu projeto de mestrado na visualização de dados contidos em livros, como por exemplo Os Lusíadas, de Luis de Camões. O resultado é uma bela série de gráficos onde se é possível ver a frequência de certas palavras usadas pelo autor. Veja um pouco do resultado aqui.
Mas o que nos interessou de fato no trabalho de Pedro é o motion onde podemos ver o declínio dos impérios desde 1800 até os dias atuais. A forma utilizada por Pedro para mostrar o colapso das grandes potências mundiais deveria ser usado nas escolas e universidades para auxiliar no entedimento dos acontecimentos históricos. Os pioneiros em data vizualization, a GapMinder, usa uma linguagem similar a de Pedro para traduzir conceitos complexos como a relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano e PIB mundia, muito utilizado pela ONU em suas apresentações e relatórios.
Abaixo, o vídeo de Pedro sobre o colapso dos impérios mundiais desde 1800.
(Via @Bruno Veloso)
Ver e ser visto
fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment

Simon Anholt, consultor de Nation Branding inglês, criador dos termos Nation Branding, Public Diplomacy, Identidade Competitiva entre outros, pioneiro na pesquisa teórica e acadêmica sobre o assunto e autor grandes projetos de construção de imagens das nações em vários países em todos os continentes, divulga em seu site uma ferramenta interessante onde se observa como os países e cidades veem e são vistos por seus pares no cenário internacional. Baseado em uma pesquisa muito mais completa e abrangente, o Nation Branding Index, relatório anual desenvolvido em parceria com a empresa de consultoria GfK Custom Research, onde a partir de 6 itens básicos (população, produtos, governança, turismo, cultura, imigração e investimentos) é possível mensurar a imagem projetada destes países (apenas 50 pesquisados) para seus parceiros e ‘concorrentes’ mundiais. Este ranking é usado como balisador para governos analisarem sua auto-imagem e iniciarem o desenvolvimento de projetos de reconstrução de suas imagens.
O aplicativo disponível no site de Simon Anholt possibilita uma prévia dos resultados deste relatório anual onde é possível cruzar dados entre países em cada uma das 6 categorias utilizadas como metodologia da pesquisa. O resultado é apresentado apenas em números, sem nenhuma análise do resultado. Para esta informação é preciso ter acesso ao relatório completo produzido pelo consultor.
Funciona assim: você escolhe um país ou cidade para ser classificada e outro país que o classifica, por exemplo: no quesito cultura, o Reino Unido classica o Brasil no 17º lugar num total de 50, já o Brasil tem uma percepção da cultura inglesa de 9º lugar num total de 50 países.
Sem a profundidade merecida para argumentar estes resultados – citando apenas que 20 mil pessoas foram ouvidas em 20 países para a geração destes resultados, mas confiando na credibilidade de Anholt – a ferramenta é um divertida experiência onde é possível, mesmo que seja por alto, enxergar como os países e cidades são vistos pelos olhos de seus ‘concorrentes’.
Para acessar a ferramenta, clique aqui.
The World of 100
fevereiro 1, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment

O jovem designer baseado em Honk Kong Toby Ng desenvolveu uma série de 20 posters para tentar explicar, estatisticamente, como é o mundo em que vivemos atualmente. Como o planeta é um sistema complexo de números e dados, Toby o resumiu em uma versão fictícia onde nosso mundo seria uma vila com 100 habitantes. O resultado são estes lindos posters que explica de forma direta e simples este caos cultural que é o Planeta Terra. Cada vez mais designers se juntam a estátisticos e matemáticos para tentar tornar mais palatável, acessível e interessante os chatos e indecifráveis gráficos, dados e planilhas que assombram a vida de leigos. É a era da Aesthetics Information, movimento que cresce a cada dia, formando uma nova geração de Information Desginers.
Mais imagens dos posters de Toby Ng.



