São Paulo sem muros

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

foto: osterno de souza

sp_01

Existe um projeto circulando nas altas rodas dos que pensam a cidade São Paulo que, uma vez bem estruturado e planejado, pode ajudar a melhorar uma pouco a claustrofóbica imagem da São Paulo. A idéia é bem simples: tirar todos os muros dos luagres públicos da cidade como estações de trem, parques, Jóckey Club, USP, etc, com o objetivo de deixar a cidade respirar um pouco melhor, tornando-a mais transparente.  A idéia é ousada, complexa e polêmica, mas uma forma interessante de transformar uma cidade baseada na fria racionalidade e no funcionalismo do transporte individual e na segurança particular em uma área de uso coletivo onde tudo pode ser visto e vivido.

As fotos que ilustram este post mostra uma simulação de como seria a Marginal Pinheiros sem o muro que separa a via expressa da raia olímpica. O contraste é absurdo, tornando uma região totalmente degradada que privilegia o transporte individual em uma área limpa e agradável. É até possível vislumbrar ali uma utópica ciclovia em plena Marginal Pinheiros.

As informações vieram do Twitter do ex-coordenador das sub-prefeituras de São Paulo Andrea Matarazzo. E as fotos vieram daqui.

foto/montagem:osterno de souza

sp02

Sobre felicidade e crimes

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

no-happy

Dois interessantes momentos do Brasil na mídia internacional que valem ser vistos/lidos e refletidos sobre a construção e a percepção da nossa imagem pelo mundo. O primeiro é o programa da BBC Fast Track in São Paulo, uma visão geral da cidade de São Paulo e sua comparação com o Rio de Janeiro, irmã mais pobre mas infinitamente mais bonita, segundo o apresentador Rajan Datan.  O segundo é uma matéria na Forbes sobre as 10 cidades mais felizes do mundo, ranking baseado no índice Branding Cities Index 2009, produzido por Simon Anholt em parceria com GFK Custom Research.

No programa da BBC, o bem humorado apresentador apresenta uma São Paulo dinâmica, vibrante, coração pulsante da economia brasileira e comparada a grandes metrópoles como Nova York e Londres, a não ser por alguns pequenos detalhes: a sua ‘feiura’ e os altos índices de violência. Mesmo assim, Rajan tem uma boa impressão de São Paulo, graças principalmente a grande vida cultural paulistana e a lei Cidade Limpa, que baniu a publicidade na cidade o que, segundo o apresentador, compensa parcialmente o alto índice de poluição nas ruas de São Paulo. Fora os clichês típicos de um inglês em terras brasileiras, principalmente quando ele compara São Paulo com o Rio de Janiero, onde apenas as imagens de mulatas, festas, rodas-de-samba e futebol dominam a tela, o resultado é positivo para a cidade. Mas, infelizmente, a percepção das altas taxas do crime no Brasil ainda são as protagonistas no imaginário internacional.

Para assistir o vídeo da matéria da BBC, clique aqui.

Já na matéria da Forbes.com, a qualificação do Rio de Janeiro como a cidade com a população mais feliz do mundo mostra quanto é complexa a tentativa de mensurar os valores e as percepções da sociedade brasileira e, consequentemente, suas cidades.

Segundo Anholt, o inconsciente coletivo mundial associa o Rio de Janeiro ao bom humor, Ao estilo ‘bon vivant’ , o paradisíaco cenrário carioca e, obviamente, ao caranaval a  clássica idéia de felicidade. Nem mesmo a violência latente da cidade consegue tirar a imagem de um carioca feliz. Mas o próprio Simon Anholt confessa que traços de felicidades não são o suficientes para deixar rastros na história de uma cidade ou país, ao contrário da economia e política, mas também concorda que é  importante para as cidades que dependem do fluxo contínuo de turistas, imigração de talentos e convenções.

Ou seja, a imagem do Brasil continua a mesma: recheada de clichês, notas de violência, feiura e poluição, mas com toques de vanguardismos urbanísticos como a Cidade Limpa, mas ainda estruturada numa idéia de paraíso tropical com pessoas felizes independente da realidade contidiana. Isso talvez não seja de todo mal, mas não o suficiente para mostrar a potencialidade de um país continental.

Para ler a matéria completa da Forbes com as outras cidades além do Rio de Janeiro, clique aqui.

happy2