Sobre Peru, marcas e publicitários

abril 5, 2011 by isotipo.labs · 1 Comment 

O pequeno mas latente mundo do Place Branding está começando a sair da toca e mostrar à que veio. Uma disciplina ainda muito confundida com propaganda política, onde grandes agências – as maiores responsáveis pela criação desses projetos – ainda se utilizam de técnicas comuns de comunicação para o desenvolvimento desses projetos e, principalmente,  lida com a construção de uma marca de um país ou de uma região com o mesmo instrumental para a criação de uma marca de sabão em pó. Mas parece que aos poucos algo vai se transformando. Talvez a informação de que outros métodos e pensamentos são necessários esteja ficando mais evidentes e mais óbvios para todos os envolvidos. Pequenos cursos estão começando a surgir e orgãos oficiais estão se atentando para que não basta pagar para um grande nome da publicidade local cuidar de algo tão valioso, mas ainda muito sucateado.

Um caso interessante ocorrido esta semana foi a publicação do mini-artigo de Tânia  Savaget com o título ‘O branding para países, estados, cidades – Como seria no Rio? A hora é agora‘ no Blue Bus, tradicional site sobre notícias do mundo da propaganda, lido por 14 de 10 publicitários do nosso Brasil varonil. Como a Tátil foi a vencedora – com muito mérito – do concurso da marca das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, acabou se tornando o escritório com maior propriedade para falar sobre o assunto no Brasil. Mas é sempre bom lembrar que o processo de construção da marca, por mais belo que tenha sido – conforme o vídeo abaixo -, se resume apenas à uma marca que, apesar do evento ser de extrema importância para um processo de branding, é bastanate efêmero e está longe da complexidade de um projeto de marca para um país ou cidade.

Mas, então como pensar de forma consistente um objeto tão complexo como um país? Muito tem se feito mas pouco com relevância de fato. Pensar um projeto de uma marca não é mais apenas qual tipografia usar ou que ela deva representar – apesar de ser uma fase importante do processo – e sim o que está por trás deste projeto todo e qual o objetivo a se atingir. Normalmente ao se pensar uma marca de país se cria algo apenas para a promoção do setor turístico de determinada região. Os outros setores ficam só, perdidos num mar sem identidade.

A grande vedete deste ano é o novo projeto de marca para o Peru, nosso vizinho sulamericano. O Peru já tinha uma marca usada para o setor turístico, grande fonte de renda para o país, mas percebeu que com uma marca que transmitisse valores antigos e para um setor simplesmente não era mais viável, afinal a identidade de um país é de seu conjunto e não apenas para um determinado segmento. A FutureBrand de londres foi a responsável pela tarefa. Com a nova marca da Austrália e do arquipélago de Santa Lúcia no currículo e além de serem os responsáveis por um dos principais índices de classificação dos esforços de branding de países, mostraram neste novo projeto que de fato estão entendendo com profundidade como lidar com algo tão extenso e complicado quanto uma identidade nacional.

A marca Peru veio acompanhada de claros objetivos e com quem quer falar. Ao invés da grande maioria focar sua comunicação para a promoção do turismo, o Peru quer também atrair investimentos internacionais e usar como ferramenta principal de promoção dos seus produtos no exterior. Ou seja, a ideia é que a marca seja onipresente em tudo o que for relativo ao país, desde ações promocionais no Facebook até a fita para embalar seus produtos regionais. Até então, apenas a Suíça conseguiu colocar sua marca nacional no imaginário mundial. Se o Peru vai conseguir, é uma questão de tempo. Mas o primeiro passo foi dado da forma mais correta possível.

Para dar suporte ao lançamento da nova marca, o governo lançou o Marca Peru, um site onde todas as questões que envolvem a criação, o desenvolvimento, as pesquisas e os objetivos são detalhados de forma extremamente clara e envolvente. É um belo exemplo de organização e até de respeito com a sociedade peruana como um todo, a grande financiadora do projeto.

Abaixo, algumas imagens e o vídeo promocional da Marca Peru.

peru_01

peru_02

peru_05

peru_03

peru_04

peru_06

peru_07

Um atlas subjetivo da Palestina

dezembro 10, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment 

No início dessa semana o presidente Lula (há menos de 20 dias do final do seu mandato) reconheceu publicamente a Palestina como Estado independente e com as fronteiras de 1967, antes da antes da Guerra dos Seis Dias. Ou seja, com uma quantidade de território consideralvemente maior do que a dos dias de hoje, que se resume basicamente a Faixa de Gaza e a região da Cisjordânia. À partir desse reconhecimento brasileiro, qual é de fato será seu efeito na comunidade internancional? Bem pouco, provavelmente. O Brasil acredita que o reconhecimento ajudará no processo de paz com Israel, mas é bem possível que nada mude com essa declaração brasileira. Os mais polêmicos e conspiradores vão achar que é mais uma ação anti-americana e esquerdista do governo Lula, que apoia governos ditatoriais, corruptos e terroristas, etc, etc. Os otimistas vão dizer que é uma tentativa de ajudar num processo tão complicado quanto uma briga de família. E os pragmáticos vão afirmar que é mais uma jogada da diplomacia brasileira em busca de relevância no circuito político internacional. Mas não é isso o que nos interessa nesse momento. Deixemos essa questão para analistas internacionais e afins. O que nos interessa aqui é o aspecto cultural dessa história toda.

Afinal, quem são os Palestinos? Sabemos que são árabes, mas como é o dia-a-dia em suas cidades sitiadas e praticamente esquecidas do mundo ocidental dito civilizado? O que comem, o que escutam, o que leem, o que conversam, o que falam, o que pensam?

Foram essas mesmas perguntas que motivaram o designer holandês Annelys de Vet a investigar um pouco mais à fundo o tema para criar o Subjective Atlas of Palestine, um compêndio – teoricamente – desprovido de julgamentos ideológicos, históricos e etnocentristas. A ideia foi basicamente compilar a rotina dessas pessoas através dos seus hábitos alimentares, culturais, informativos, ou seja, cotidianos. O resultado é um belo livro, riquíssimo em imagens e informações que podemos identificar – independente de questões políticas e religiosas – a essência desse povo que sempre nós é apresentado nos extremos: ou o maior vilão ou a grande vítima.

Se Annelys conseguiu ser isento na sua pesquisa, eu tenho minhas dúvidas, mas isso não desmerece em hipótese alguma o rico e completo retrato de uma sociedade milenar em situações extremamente corriqueiras.

O livro está disponível para download no site do projeto. Vale a pena também ver os outros atlas do designer: o da Sérvia e da Holanda.

palestine_01

PALESTINE02

plestine03

palestine_04

Minha querida Índia

agosto 20, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

mydearindia

Apesar de todos os esforços institucionais que os países se utilizam para tentar construir uma imagem positiva no imaginário coletivo mundial, nada é mais poderoso e eficaz do que a chamada experiência emocional. Ela é única, exclusiva e ninguém pode comprar, alterar ou transformar essa sensação que temos e sentimos quando chegamos em algum lugar desconhecido. Conseguir atingir a esse nível de intimidade emocional com um interlocutor é a principal fonte de sucesso para que qualquer projeto de Nation Branding, raramente alcançado pelos projetos tradicionais de comunicação produzidos pelos departamento de turismo dos países . Não existe logomarca, slogan ou ações promocionais  que substituam o relato de um visitante que vivenciou de fato a riqueza e singularidade da cultura e da identidade daquele  país. E quando toda essa experência é transmutada em uma singela e bela homenagem sobre aquilo tudo que foi vivido em terras estrangeiras, todos saem ganhando, do leitor ao futuro visitante.

Foi mais ou menos isso que os designers Fabiano Fonseca e Eduardo Recife fizeram. Um generoso e delicado olhar para esse país já tão retratado. Mas o que  se diferencia aqui de todos os relatos já produzidos é uma Índia particular, única, tão íntima que pode até ser chamada de querida, assim como o título da obra. My Dear India é muito mais do que um livro de fotos de uma prosáica viagem de turismo. É uma espécie de agradecimento à aquele país por toda experiência vivida. E, agora, compartilhada.

O belo projeto, com coordenação editorial de Alessandra Maria Soares da Voltz Design junto com os autores, não está disponível em livrarias, mas pode ser adquirida diretamente com os artistas.

india02

india03

india04

Japão, um país estranho

março 22, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

O designer japonês Kenichi Tanaka, num exercício interessante de auto-reflexão, desenvolveu uma tese de como seu país era visto pelos olhos estrangeiros. Para isso, criou um vídeo onde dados tradicionais como o alto índice de desenvolvimento humano ou o segundo maior PIB do mundo são associados a certas peculiaridades típicas daquela sociedade, como os olhos pequenos, a tímidez de seu povo e o fascínio quase descontrolado de suas mulheres por dietas e marcas ao mesmo tempo que são apaixonados por fast food. O resultado, abaixo, é um divertido e belo retrato da sociedade japonesa, mesmo que carregado de  humor e uma certa exarcebação de clichês.

A nova Liechtenstein

fevereiro 26, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

LIECHTESTEIN

Cada vez mais são os pequenos países que mais investem na construção e divulgação de sua identidade nacional, talvez seja pela sua pequena participação no cenário internacional, devido ao seu terrítorio restrito, ou na tentativa de mudar alguma imagem estabelecida que não seja aquela que o país queira mostrar ao mundo. Esse é o caso do Principado de Liechtenstein, pequena nação encravada entre Suíça, Itália, Alemanha e Áustria.

O pequeno principado sempre foi conhecido pelos seus baixos impostos, o que o levou a um crescimemnto econômico vertiginoso, mas contribuindo para uma imagem internacional associada a de um paraíso fiscal perfeito para a lavagem de dinheiro de grandes grupos criminosos e de sua grande tolerância em relação a esse tema. Além de mudanças políticas na gestão de grandes fortunas, o país recorreu ao consultor Wolff Ollins para o redesenho de uma nova identidade visual da região, onde os elementos mais fundamentais daquela sociedade deveriam ser exarcebados. Segundo o site do consultor, o projeto, que foi desenvolvido em 2004, trouxe grandes mudanças na percepção de investidores, ao mesmo tempo que colocou o país no mapa do turismo e dos negócios mundiais.

Se de fato essas transformações aconteceram, é preciso pesquisar em alguns índices de percepção e fazer análises comparativas dos números nacionais. Mas o fato é que a nova comunicação oficial do principado realmente traz algo novo para a região.

Abaixo, algumas imagens da nova identidade de visual e suas derivações.

Para maiores informações sobre o projeto, acesse o portal do país e a apresentação desenvolvida pelo escritório de Wolff Ollins.

LIECHTESTEIN

lie03

lie04


Post inspirado via @patriciasdc

Roadtrip 2009

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Post originalmente publicado em: December 1, 2009

Road Trip

Road Trip

Cada vez mais o recurso de data vizualization é usado para demonstrar graficamente desde complexas informações de gastos governamentais até prosaicos dados do dia a dia. Desta vez é o designer norueguês Ole Østring que resolveu mensurar sua última viagem de verão pela Europa, resultando em belos gráficos baseados nas distâncias viajadas, custos da viagem, meios de transporte utilizados, etc. Østring foi tão a fundo na ideia de compilar as informações de suas férias que até criou uma ferramenta onde é possível navegar pelo poster, que acabou sendo a mídia escolhida pelo designer para apresentar esses dados.

O resultado e outras imagems desse experimento de data visualization pode ser visto aqui.

Jurados do 2º Prêmio Minas Design

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

2º Prêmio Minas Design

Este é o juri que decidiu os vencedores do 2º Prêmio Minas Design, promovido pelo CMD, Centro Minas Design, em Belo Horizonte. Da esquerda para a direita: Célia Regina, pesquisadora  e colaboradora do CETEC, Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais, um orgão da Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas Gerais; Ives Fontoura, Professor e crítico de design da PUC do Paraná e da Universidade Tuiti, Gustavo Santos, designer da G2 Brasil e pesquisador da isotipo.labs e Newton Gama Junior, designer de produtos especializado em eletro-domésticos.

Não aparece na foto o quinto jurado, Pedro Kaechele, presidente da Inox Color, indústria inédita no Brasil no processo de coloração do inox.

Participar de um jurí extremamente heterogêneo foi uma experiência enriquecedora. As discussões surgidas no processo de avaliação com visões antagônicas tornou a seleção criteriosa e relevante. Desde a visão pragmática de um industrial até as observações pertinentes de um teórico e de uma pesquisadora da área de tecnologia metalúrgica fez com o que era para ser uma simples análise de trabalhos pensados e concebidos com inox colorido se transformou em uma calorosa discussão sobre a forma e função do design.

Fora que é muito intressante ver a produção de trabalhos baseados apenas em conceitos e não apenas pensando nos quesitos comerciais. Desde a apresentação das idéias, a execução dos produtos até as especificações técnicas para a viabilização do projeto. Mas a velha máxima ainda se confirma: os estudantes sempre trazem coisas mais instigantes do que os profissionais. Talvez pela liberdade, pela possibilidade de ter um pouco mais de tempo ou pelo frescor e pela falta de vícios da profissão. Ou talvez por que são melhores mesmo, simples assim.

Prêmio Minas Design

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

2º Prêmio Minas Design

Vai até o dia 19 de outubro de 2009  as inscrições para o 2º Prêmio Minas Design, um projeto do Governo de Minas Gerais através do orgão de fomento do design mineiro  Centro Minas Design, vinculado a  Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado, no qual a isotipo.labs foi convidada a fazer parte do júri e ajudar na seleção dos projetos inscritos.

Bianual, o prêmio deste ano tem como tema o “Design Aplicado ao Aço Inox Colorido” com o objetivo de revelar projetos de qualidade para alavancar o desenvolvimneto da economia de Minas Gerais e, consequentemente, o design mineiro. A idéia é bacana e é uma boa plataforma para a já iniciada construção da marca do Governo de Minas, que vem se destacando em ações de branding e Public Diplomacy principalmente depois do lançamento do Blog oficial do Governo, uma tentativa de desmitificar o conceito de que a informação vinda dos poderes públicos não precisam ser velhas, confusas e indigestas e sim modernas e simples, aliadas a um belo layout e de temas extremamentes jovens e contemporâneos.

A idéia de fomentar a produção artística e profissional local através destes tipos de premiações colabora infinitamente para a construção da imagem de uma sociedade criativa e valorizada e de um governo participativo e incentivador, onde temas até então esquecidos ou ignorados pelo poder público como o design agora são tratados como propulsores da economia e do desenvolvimento. Só o fato de existir um orgão especializado em fomentar e registrar a produção do design local representa um avanço imensurável para o Estado.

A premiação será no dia 03 de novembro, em Belo Horizonte. Para maiores informações sobre as inscrições, o regulamento e sobre o prêmio, acesse o site do Centro Minas Design. Aguarde mais informações por aqui mesmo e, durante a seleção das peças e da premiação, irei tentar transmitir tudo por aqui.

Os países e suas marcas

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment 

Existem várias discussões acadêmicas, e outras nem tanto, dos significados dos termos mais usado no design como marca, logomarca, logotipo, brand, brandmark, logotipia, etc. Muitos dizem que a marca é o conjunto dos valores de uma empresa, corporação, instituição, país, etc, e a logomarca seria a representação gráfica destes valores e por aí vai. Como vivemos em tempos do tal branding, resolvemos convencionar o uso de marca para representar tanto estes valores quanto sua representação gráfica. Esta discussão vai longe e, provavelmente, não chegará a lugar algum.

Mas não é essa a discussão que nos interessa no momento e sim como os países representam toda sua complexidade de valores, idéias, sentimentos e desejos através de uma simples logomarca, ou marca, ou logo, seja lá qual for a nomeclatura adequada. Aqui temos uma selação interessante de alguns países e de suas representações gráficas para tentar analisar através de sua iconografia como os países são vistos.

Como qualquer outra marca algumas estão velhas, paradas no tempo, sem movimento. Outras são vibrantes, contemporâneas, jovens mas a grande maioria empaca nos clichês de sua cultura e de suas tradições inventadas. Mas todas fazem parte de um esforço de construção de suas identidades através de ferramentas de design e comunicação,  o que prova ainda mais que este é um caminho inevitavel a ser percorrido pelos países. Vamos as marcas:

01

A marca do Perú se conceitua em suas tradições pré-colombianas, desde as cores e formas utilizadas até os ícones – a escritura rupestre e a ave tipicamente tropical. É uma marca velha, que transmite valores antigos que subjetivamente nos remete a cenas de aventura e lazer. Certamente este é  objetivo desta marca:  tentar atrair turistas para seus sítios históricos e arqueológicos. E talvez esta seja o único grande diferencial que o país possa transmitir por agora.

02

Com as mesmas tradições pré-colombianas do Perú, o México também se baseia em alguns elementos que remetem a sua história e herança, mas com uma grande contemporaneidade ignorada pelo Perú. Talvez seja o uso de uma tipografia moderna e austera, que mesmo extremamente colorida e preenchida de simbolismos históricos, não a deixa velha. O não uso de ícones fora da tipografia também a deixa com um ar moderno. Bom exemplo da associação de elementos de sua tradição histórica e cultural com um grande tom atual. Representa bem a idéia de que o México, apesar de seu rico passado e de sua cultura secular, vive o seu tempo de forma vibrante e moderna. Ponto para o México.

03

Mais uma marca que se constrói a partir de seu legado histórico e cultural. O uso da técnica milenar do Sumiê para representar a alma japonesa foi um bom artifício de design, mas não apresenta uma Japão muito contemporâneo e extremamente tecnológico como o vemos. Provavemente o uso de uma caligrafia para a marca tenta mostrar que apesar do japão ser um país extremamente moderno, seus valores mais antigos ainda estão preservados, como um caloroso ‘Seja Bem Vindo ao Japão’  artesanal e paciente.

04

Marca enigmática esta. País de um riquíssimo legado histórico e cultural, terra de um dos maiores impérios já visto sobre a Terra, conhecido pela alta gastronomia e paisagens alucinantes, a Itália decidiu usar para representar graficamente seu país uma marca com uma tipografia totalmente sem personalidade,  um ícone que provavelmente seja o mapa do país a um i que parece o ícone de informações turísticas. Não diz nada. Nem bonita é.

05

Outra marca que vai fundo no raso. A Irlanda é muito mais do que Leprechauns e cervejas sabor Café. Mas a marca não revela nada. As cores estão lá, junto com o ícone nacional, mas a idéia de uma um país distante e estranho é mais forte. Também nem bonita é.

06

Bom exemplo da tentativa de modernizar uma imagem desgastada por questões conflituosas como religião, ditadura, etc. A indonésia, maior nação mulçumana do planeta é, ao mesmo tempo, um grande centro turístico devido ao seu arquipélogo de praias paradisíacas e monumentos religiosos milenares. Mas, ao mesmo tempo, é uma das piores ditaduras baseadas em um monoteísmo assassino e com duras restrições a liberdade individual. Mas a marca Indonésia não mostra esse lado. Mostra um país festivo, alegre, colorido que ajudam a construir a imagem de uma nação feliz e receptiva. O interessante contraste de tipografias consegue realçar a tradição festiva e litorânea do país enquanto a usada no slogan demonstra um espírito contemporâneo. Sairam-se bem os indonésios.Germany

A maior barreira que a imagem da Alemanha ainda não conseguiu transpor é de sua extrema racionalidade e frieza. Pesquisas feitas para mensurar a percepção da imagem da Alemanha  produzida como substrato para um novo projeto de branding, personifica o país como um engenheiro de 40 anos, sério frio e um pouco mal humorado. A tentiva na trasnformação é mostrar uma Alemanha jovem, vibrante e moderna, uma terra não só de ótimos engenheiros mas também um lugar de idéias, de inspiração. Não sei se essa marca já é uma tentiva de representar esta nova plataforma, mas se for, certamente não conseguiram. A marca ainda continua dura e racional, mesmo com as tipografias arredondadas e orgânicas. O ícone parece mais uma nova marca de eletrodomésticos do que a de um país extremamente cool e inspirador. A alma germânica funcionalista, mesmo que seja um grande diferencial, ainda não conseguiu se desvencilhar da sua imagem nacional.

France

Essa já é um clássico. Toda a alma francesa está representada nesta marca. O agitação das noites parisienses, o espirítito iluminista e libertário, a metáfora da França como um mulher. Tá tudo lá. Um país certo de suas convicções e de seus valores. Uma marca forte para um país inesquecível. A marca da França é a representação de uma experiência.

Egypt

Marca singela e suscinta. Toda a tradição milenar, que é a principal referência do Egito, é lembrada de forma quase prosáica na simbologia de um sol sendo amparada por mãos delicadas. Já  a tipografia é moderna e elegante. Uma tipografia de seu tempo. Um contraste não muito harmônico esteticamente mas que consegue, de forma sútil, unir a tradição e modernidade.

Canada

Releitura da clássica maple leaf que é o ícone máximo do Canadá. Tipografias modernas e austeras deixam claro a idéia de contemporaneidade do país, sem nenhuma referência ao passado do país. Marca simples e eficaz, certificando a credibilidade que o país já possui a muito tempo.

Britain

O grande Império Britânico do século XVIII optou por uma marca quase juvenil para se apresentar ao mundo. Seguindo as premissas do Cool Britannia de Tony Blair, a marca tenta esboçar uma juventude latente, quase urgente, ao representar a bandeira como uma espécie de pintura de tons expressionistas. A tipografia austera tenta manter a seriedade britânica, mas a iconografia da bandeira mostra que a Inglaterra é uma jovem senhora. Conceitualemente tá tudo alí, bem representado e de acordo com os objetivos de branding do país e deixar a Inglaterra cada vez mais jovem, sendo um pólo que emana inspiração cultural. Mas podia ser mais bonitinha, mais, digamos, moderninha, hipster, cool.

Brasil

Ao contrário do que dizem nos círculos do design brasilero, acho linda essa marca utilizada para a promoção do Brasil no exterior, desenhada por Kiko Farkas da Máquina Estúdio . Não é a marca do Governo Federal -  esta sim horrível -  e sim a promocional, muito usada pelo setor de turismo. A grande polêmica que envolveu o projeto desta marca, o que talvez a mitificou como uma marca controversa, é o pequeno detalhe da cor vermelha no canto esquerdo, associada ao PT, partido do presidente Lula que provavelmente foi o último a aprová-la. Na realidade nunca saberemos se é uma singela homenagem ao partido ou uma clássica imposição de ‘cliente’, mas que o vermelho não existe nas cores oficiais do Brasil, isso é um fato. No mais, o designer conseguiu criar uma marca contemporânea e jovem, que mostra um Brasil moderno e cool, o que é já uma vitória.

Australia

Esta acabou de sair do forno. Após anos de discussão, a contratação de Simon Anholt como consultor de branding e, claro, alguns milhões de dólares gastos, a Austrália apresenta sua nova identidade visual para o mundo. Mas, analisando bem superficialmente, nada de novo é apresentado. O sol implacável dos outbacks, as cores das terras e, claro, o ícone máximo – o canguru – nos diz que tudo continua o mesmo pelos lados de lá. Toda a efervescência cultural, política e econômica, a modernidade de suas cidades e de sua população foram esquecidades nesta nova fase do país. Não é por menos que polêmicas e mais polêmicas se instauraram no país após a divulgação de sua nova marca.

Sri Lanka

Elegante e quase feminina, a marca do Sri Lanka aposta na sutileza oriental para seduzir e tentar transmitir seus valores. A mão que segura uma delicada flor-de-lótus, simbolo máximo do país, transmite cuidado e receptividade. As tipografias serifadas, porém extremamente contemporâneas, sugerem um país zeloso dos seu passado e sua herança mas de olho no futuro. Marca bonita e eficiente.

Turkey

Marca tão curiosa quanto a língua turca. Um dos primeiros países orientais de maioria mulçumana a se modernizarem e adotarem preceitos ocidenais, optou por uma marca que talvez represente aquilo que todos tem no seu imaginário quando se fala em Turquia: um país exótico, lindo, distante e misterioso. E a marca conseguiu transmitir essas idéias.

Swiss

A coqueluxe dos designers. A austeridade e sobreidade personificada. Nenhuma marca é mais moderna do que ela. Suíca, a marca sinônimo de bom gosto, simplicidade e eficácia. Ninguém nunca conseguiu dizer tanto com tão pouco. A cruz vermelha suiça é reconhecida quase que automaticamente em todos os cantos do planeta como sinônimo de uma sociedade séria, bem organizada, justa, limpa e correta. Dificilmente outro país consiga ser tão coerente tanto na sua imagem quanto nas suas ações. Não precisa de mais comentários.

Artigo livremente  inspirado daqui.

Cidade de Melbourne

fevereiro 1, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

melbourne

Interessante o projeto de rebranding da cidade de Melbourne, Austrália, lançado este ano. Mais do que a criação de um novo logo que substitui o antigo – em uso por mais de 15 anos – o novo projeto tem como objetivo re-apresentar a cidade para o cenário internacional como um lugar vibrante, moderno e inovador tanto para o turismo e negócios internacionais como para restabelecer a auto-estima de sua população. Para isso, contratou a gigante Landor para a tarefa. O resultado é uma identidade extremamente contemporânea, vibrante e jovem, carregada de idéias modernas, de uma cidade rica, internacional criativa e aberta a diversidade cultural. A idéia do conselho curador é que esta marca dure bem mais do que a anteior, apesar que tanta contemporaneidade pode comprometer sua longevidade, caso não exista coerência e comprometimento do governo local em manter os valores inseridos na marca como um projeto de construção a longo prazo e não apenas uma ação da atual gestão.

Com um custo aproximado em $ 210.000, o projeto desenvolvido pela Landor não contempla apenas o novo logo e suas derivações e sim todo um plano estratégico de construção de marca baseado nos novos conceitos de Governança 2.0 e Public Diplomacy. Junto com a nova identidade  foi lançado também um belo site extremamente completo, onde desde informações sobre taxas e impostos, passando por oportunidades de  negócios e emprego, informações para turistas até políticas para o incetivo de street art, tudo em 9 línguas, afirmando ainda mais a idéia de cidade globalizada e aberta ao diálogo internacional.

Apesar de vários protestos de pequenos grupos locais que afirmam que a nova identidade de Melbourne não passa de uma mudança coméstica e que o valor gasto deveria ser investido em questões sociais emergenciais, a inicativa de rebranding da cidade mostra a capacidade do governo local de vislumbrar que a necessidade da aproximação com a sociedade local e internacional através de uma comunicação eficiente, transparente e contemporânea é a base para uma nova democracia e que,
inevitavelmente, atrairá novos investimentos em forma de turismo, negócios, profissionais qualificados, etc. Talvez o retorno deste investimento em desenvolvimento social e econômico não venha tão rapidamente como estes pequenos grupos contrários a idéia esperavam, mas, certamente, quando vier, será bem mais sustentável e eficiente.

Uma pequena crítica: para que o conceito de GOV 2.0 e Public Diplomacy fosse mais explorado, faltou algum tipo de canal interartivo com a população, seja em forma de comentários em seções específicas do site ou de sugestões de uso do recurso público. Talvez isso tornasse esta mudança menos coméstica e mais efetiva.

Abaixo, o motion design da nova identidade da cidade de Melbourne, produzida pela Landor Associates.

1106151249093328

1106151249093303

1106151249093382

1106151251717895

1106151251716756

CTM001C01 Typographic Treatment

1106151251716419

CTM001C01 Graphic Elements

CTM001C01 Logomark FINAL

1106151249114220

1106151249099510

11061512490934511106151249093430

Print1106151249093328

Next Page »