Sociedade 2.0

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Muito tem se falado em Governo 2.0 e Public Diplomacy, conceitos novos que os governos estão adotando desesperadamente com a revolução que a internet e novas tecnologias de comunição na qual estamos vivendo. Aquele governo fechado, que esconde suas ações,  criam e aprovam leis e acordos no silêncio da madrugada, sem a participação da sociedade, está cada vez mais fadada a virar artigo em livros de História. Com a adoção desses novos paradigmas, que tem como objetivos básicos promover o interesse nacional através da transparência, informação e, principalmente, da participação, os governos se aproximam cada vez da sociedade tentando assim construir uma sociedade mais justa. Mesmo que ainda seja o início de uma possível  e longínqua transformação da democracia tal como a conhecemos hoje, vários setores da sociedade civil estão realmente engajados neste tema, pressionando os governos a se adaptarem aos novos tempos.

O maior exemplo recente deste envolvimento civil foi o Gov 2.0 Summit, um painel de discussões realizado em Washington, DC semana passada onde os CEO’s da maiores empresas de tecnologia e principais teóricos do assunto se encontraram para discutir a inevitável fusão das novas tecnologias com ações governamentais. Dia 29 de setembro outro importante seminário ‘Gov 2.0: The Collaborative Opportunities of Open Government‘, este via web, irá discutir as boas consequências sociais de um governo aberto à sociedade através das novas tecnologias. Ou seja, estamos entrando em uma via sem volta onde o uso de novas tecnologias e vários canais de comunicação com a sociedade será parte fundamental para se construir uma boa imagem dos países tanto para a sua população quanto para o exterior. O Estado que não conseguir se estabelecer dentros destes novos preceitos pode acabar sendo reconhecido como um governo pouco disposto ao diálogo e, na pior das hipóteses, de autoritário. Um bom exemplo deste conflito em terras brasileiras foi quando o governo Lula lançou o Blog do Planalto, um canal de informação oficial das ações do governo mas sem a possibilidade da sociedade interagir com os posts publicados, o que, por definicão, vai completamente contra os conceitos de transparência e participação do mundo 2.0. Tanto que foi necessário a criação de um clone do Blog do Planalto para a participação da sociedade.

Mas a grande surpresa dessa mobilização vem aqui mesmo do Brasil: a rede social Cidade Democrática, colaborando ainda mais para construção da imagem de um país criativo e inovador. O sistema funciona da seguinte forma: você se cadastra e começa a participar apontando problemas ou sugerindo soluções para sua rua, bairro, cidade, estado e até mesmo para o país. É um espaço para discussão de problemas locais, sem a participação do governo, para que a a própria sociedade discuta e desenvolva soluções para seus problemas se mobilizando e, consequentemente, pressionando o governo a olhar para pequenos problemas que, muitas vezes, não tem interesse político algum mas que afetam diretamente a vida das pessoas. É a própria sociedade discutindo seus problemas com o objetivo maior do bem comum, coletivo, utilizando um aplicativo brasileiro e colaborativo.

Uma boa atitude do governo seria acompanhar os projetos propostos no site e as discussões em torno dos problemas para se aproximar ainda mais da sociedade, já que esta não é a mesma que só se manifestava apenas nos dias de eleição. Uma sociedade criativamente perfeita seria aquela onde tanto o governo quanto sua população seriam 2.0. E isso talvez não esteja tão longe assim.

Para mais informações sobre Governo 2.0 e Public Diplomacy, veja um vídeo com Tim O’Reilly, criador do termo.

Cidade de Melbourne

fevereiro 1, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

melbourne

Interessante o projeto de rebranding da cidade de Melbourne, Austrália, lançado este ano. Mais do que a criação de um novo logo que substitui o antigo – em uso por mais de 15 anos – o novo projeto tem como objetivo re-apresentar a cidade para o cenário internacional como um lugar vibrante, moderno e inovador tanto para o turismo e negócios internacionais como para restabelecer a auto-estima de sua população. Para isso, contratou a gigante Landor para a tarefa. O resultado é uma identidade extremamente contemporânea, vibrante e jovem, carregada de idéias modernas, de uma cidade rica, internacional criativa e aberta a diversidade cultural. A idéia do conselho curador é que esta marca dure bem mais do que a anteior, apesar que tanta contemporaneidade pode comprometer sua longevidade, caso não exista coerência e comprometimento do governo local em manter os valores inseridos na marca como um projeto de construção a longo prazo e não apenas uma ação da atual gestão.

Com um custo aproximado em $ 210.000, o projeto desenvolvido pela Landor não contempla apenas o novo logo e suas derivações e sim todo um plano estratégico de construção de marca baseado nos novos conceitos de Governança 2.0 e Public Diplomacy. Junto com a nova identidade  foi lançado também um belo site extremamente completo, onde desde informações sobre taxas e impostos, passando por oportunidades de  negócios e emprego, informações para turistas até políticas para o incetivo de street art, tudo em 9 línguas, afirmando ainda mais a idéia de cidade globalizada e aberta ao diálogo internacional.

Apesar de vários protestos de pequenos grupos locais que afirmam que a nova identidade de Melbourne não passa de uma mudança coméstica e que o valor gasto deveria ser investido em questões sociais emergenciais, a inicativa de rebranding da cidade mostra a capacidade do governo local de vislumbrar que a necessidade da aproximação com a sociedade local e internacional através de uma comunicação eficiente, transparente e contemporânea é a base para uma nova democracia e que,
inevitavelmente, atrairá novos investimentos em forma de turismo, negócios, profissionais qualificados, etc. Talvez o retorno deste investimento em desenvolvimento social e econômico não venha tão rapidamente como estes pequenos grupos contrários a idéia esperavam, mas, certamente, quando vier, será bem mais sustentável e eficiente.

Uma pequena crítica: para que o conceito de GOV 2.0 e Public Diplomacy fosse mais explorado, faltou algum tipo de canal interartivo com a população, seja em forma de comentários em seções específicas do site ou de sugestões de uso do recurso público. Talvez isso tornasse esta mudança menos coméstica e mais efetiva.

Abaixo, o motion design da nova identidade da cidade de Melbourne, produzida pela Landor Associates.

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Tim O’Reilly e o Governo 2.0

fevereiro 1, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment 

Tim O’Reilly, o jornalista que cunhou o termo Web 2.0, também é o responsável pela nomeclatura que define todas as transformações que os governos estão passando após o inveitável advento da tecnologia.

Neste vídeo, gentilmente traduzido para o português pela WebCitzen, Tim explica como esse novo conceito de governança e transparência é a nova vedete entre os principais líderes mundiais. Vale a pena assistir e acompanhar essa revolução pela qual a democracia passa.