I Feel Love

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Post originalmente publicado em: November 3, 2009

Slovenia I Feel Love

A Eslovênia é um pequeno país escondido entre Áustria, Hungria, Croácia e Itália. Pouco se sabe sobre ele a não ser que fez parte da antiga Iuguslávia. Fora isso, o país não tem nenhum destaque no imaginário das pessoas. Nem um produto característico, nenhum compositor famoso, nenhuma batalha memorável, nada. Provavelmente deve ser um lindo lugar para se conhecer pois mantém um grande acervo de obras romanas e uma bela arquitetura medieval, mas isso quase toda a Europa também possui.

Então, como construir sua imagem e se tornar conhecida pelo mundo? Como atrair turistas e tornar seus produtos desejados? Os eslovenos estão tentando. Lançaram um site, vários vídeos pela internet e um logo onde descobriram um interessante trocadilho entre Eu Sinto a Eslôvenia e Eu Amo a Eslovênia. A logomarca ainda não diz muito sobre a identidade do país, mas foi uma saída original para vender um sentimento nacional.

Basta esperar agora para ver qual resultado deste esforço, mas ao menos é um grande passo para um projeto de criação da imagem nacional. Ainda mais agora que o Mar Adriático está virando pólo turístico de alto-luxo para milionários de todo mundo.

Os países e suas marcas

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · 1 Comment 

Existem várias discussões acadêmicas, e outras nem tanto, dos significados dos termos mais usado no design como marca, logomarca, logotipo, brand, brandmark, logotipia, etc. Muitos dizem que a marca é o conjunto dos valores de uma empresa, corporação, instituição, país, etc, e a logomarca seria a representação gráfica destes valores e por aí vai. Como vivemos em tempos do tal branding, resolvemos convencionar o uso de marca para representar tanto estes valores quanto sua representação gráfica. Esta discussão vai longe e, provavelmente, não chegará a lugar algum.

Mas não é essa a discussão que nos interessa no momento e sim como os países representam toda sua complexidade de valores, idéias, sentimentos e desejos através de uma simples logomarca, ou marca, ou logo, seja lá qual for a nomeclatura adequada. Aqui temos uma selação interessante de alguns países e de suas representações gráficas para tentar analisar através de sua iconografia como os países são vistos.

Como qualquer outra marca algumas estão velhas, paradas no tempo, sem movimento. Outras são vibrantes, contemporâneas, jovens mas a grande maioria empaca nos clichês de sua cultura e de suas tradições inventadas. Mas todas fazem parte de um esforço de construção de suas identidades através de ferramentas de design e comunicação,  o que prova ainda mais que este é um caminho inevitavel a ser percorrido pelos países. Vamos as marcas:

01

A marca do Perú se conceitua em suas tradições pré-colombianas, desde as cores e formas utilizadas até os ícones – a escritura rupestre e a ave tipicamente tropical. É uma marca velha, que transmite valores antigos que subjetivamente nos remete a cenas de aventura e lazer. Certamente este é  objetivo desta marca:  tentar atrair turistas para seus sítios históricos e arqueológicos. E talvez esta seja o único grande diferencial que o país possa transmitir por agora.

02

Com as mesmas tradições pré-colombianas do Perú, o México também se baseia em alguns elementos que remetem a sua história e herança, mas com uma grande contemporaneidade ignorada pelo Perú. Talvez seja o uso de uma tipografia moderna e austera, que mesmo extremamente colorida e preenchida de simbolismos históricos, não a deixa velha. O não uso de ícones fora da tipografia também a deixa com um ar moderno. Bom exemplo da associação de elementos de sua tradição histórica e cultural com um grande tom atual. Representa bem a idéia de que o México, apesar de seu rico passado e de sua cultura secular, vive o seu tempo de forma vibrante e moderna. Ponto para o México.

03

Mais uma marca que se constrói a partir de seu legado histórico e cultural. O uso da técnica milenar do Sumiê para representar a alma japonesa foi um bom artifício de design, mas não apresenta uma Japão muito contemporâneo e extremamente tecnológico como o vemos. Provavemente o uso de uma caligrafia para a marca tenta mostrar que apesar do japão ser um país extremamente moderno, seus valores mais antigos ainda estão preservados, como um caloroso ‘Seja Bem Vindo ao Japão’  artesanal e paciente.

04

Marca enigmática esta. País de um riquíssimo legado histórico e cultural, terra de um dos maiores impérios já visto sobre a Terra, conhecido pela alta gastronomia e paisagens alucinantes, a Itália decidiu usar para representar graficamente seu país uma marca com uma tipografia totalmente sem personalidade,  um ícone que provavelmente seja o mapa do país a um i que parece o ícone de informações turísticas. Não diz nada. Nem bonita é.

05

Outra marca que vai fundo no raso. A Irlanda é muito mais do que Leprechauns e cervejas sabor Café. Mas a marca não revela nada. As cores estão lá, junto com o ícone nacional, mas a idéia de uma um país distante e estranho é mais forte. Também nem bonita é.

06

Bom exemplo da tentativa de modernizar uma imagem desgastada por questões conflituosas como religião, ditadura, etc. A indonésia, maior nação mulçumana do planeta é, ao mesmo tempo, um grande centro turístico devido ao seu arquipélogo de praias paradisíacas e monumentos religiosos milenares. Mas, ao mesmo tempo, é uma das piores ditaduras baseadas em um monoteísmo assassino e com duras restrições a liberdade individual. Mas a marca Indonésia não mostra esse lado. Mostra um país festivo, alegre, colorido que ajudam a construir a imagem de uma nação feliz e receptiva. O interessante contraste de tipografias consegue realçar a tradição festiva e litorânea do país enquanto a usada no slogan demonstra um espírito contemporâneo. Sairam-se bem os indonésios.Germany

A maior barreira que a imagem da Alemanha ainda não conseguiu transpor é de sua extrema racionalidade e frieza. Pesquisas feitas para mensurar a percepção da imagem da Alemanha  produzida como substrato para um novo projeto de branding, personifica o país como um engenheiro de 40 anos, sério frio e um pouco mal humorado. A tentiva na trasnformação é mostrar uma Alemanha jovem, vibrante e moderna, uma terra não só de ótimos engenheiros mas também um lugar de idéias, de inspiração. Não sei se essa marca já é uma tentiva de representar esta nova plataforma, mas se for, certamente não conseguiram. A marca ainda continua dura e racional, mesmo com as tipografias arredondadas e orgânicas. O ícone parece mais uma nova marca de eletrodomésticos do que a de um país extremamente cool e inspirador. A alma germânica funcionalista, mesmo que seja um grande diferencial, ainda não conseguiu se desvencilhar da sua imagem nacional.

France

Essa já é um clássico. Toda a alma francesa está representada nesta marca. O agitação das noites parisienses, o espirítito iluminista e libertário, a metáfora da França como um mulher. Tá tudo lá. Um país certo de suas convicções e de seus valores. Uma marca forte para um país inesquecível. A marca da França é a representação de uma experiência.

Egypt

Marca singela e suscinta. Toda a tradição milenar, que é a principal referência do Egito, é lembrada de forma quase prosáica na simbologia de um sol sendo amparada por mãos delicadas. Já  a tipografia é moderna e elegante. Uma tipografia de seu tempo. Um contraste não muito harmônico esteticamente mas que consegue, de forma sútil, unir a tradição e modernidade.

Canada

Releitura da clássica maple leaf que é o ícone máximo do Canadá. Tipografias modernas e austeras deixam claro a idéia de contemporaneidade do país, sem nenhuma referência ao passado do país. Marca simples e eficaz, certificando a credibilidade que o país já possui a muito tempo.

Britain

O grande Império Britânico do século XVIII optou por uma marca quase juvenil para se apresentar ao mundo. Seguindo as premissas do Cool Britannia de Tony Blair, a marca tenta esboçar uma juventude latente, quase urgente, ao representar a bandeira como uma espécie de pintura de tons expressionistas. A tipografia austera tenta manter a seriedade britânica, mas a iconografia da bandeira mostra que a Inglaterra é uma jovem senhora. Conceitualemente tá tudo alí, bem representado e de acordo com os objetivos de branding do país e deixar a Inglaterra cada vez mais jovem, sendo um pólo que emana inspiração cultural. Mas podia ser mais bonitinha, mais, digamos, moderninha, hipster, cool.

Brasil

Ao contrário do que dizem nos círculos do design brasilero, acho linda essa marca utilizada para a promoção do Brasil no exterior, desenhada por Kiko Farkas da Máquina Estúdio . Não é a marca do Governo Federal -  esta sim horrível -  e sim a promocional, muito usada pelo setor de turismo. A grande polêmica que envolveu o projeto desta marca, o que talvez a mitificou como uma marca controversa, é o pequeno detalhe da cor vermelha no canto esquerdo, associada ao PT, partido do presidente Lula que provavelmente foi o último a aprová-la. Na realidade nunca saberemos se é uma singela homenagem ao partido ou uma clássica imposição de ‘cliente’, mas que o vermelho não existe nas cores oficiais do Brasil, isso é um fato. No mais, o designer conseguiu criar uma marca contemporânea e jovem, que mostra um Brasil moderno e cool, o que é já uma vitória.

Australia

Esta acabou de sair do forno. Após anos de discussão, a contratação de Simon Anholt como consultor de branding e, claro, alguns milhões de dólares gastos, a Austrália apresenta sua nova identidade visual para o mundo. Mas, analisando bem superficialmente, nada de novo é apresentado. O sol implacável dos outbacks, as cores das terras e, claro, o ícone máximo – o canguru – nos diz que tudo continua o mesmo pelos lados de lá. Toda a efervescência cultural, política e econômica, a modernidade de suas cidades e de sua população foram esquecidades nesta nova fase do país. Não é por menos que polêmicas e mais polêmicas se instauraram no país após a divulgação de sua nova marca.

Sri Lanka

Elegante e quase feminina, a marca do Sri Lanka aposta na sutileza oriental para seduzir e tentar transmitir seus valores. A mão que segura uma delicada flor-de-lótus, simbolo máximo do país, transmite cuidado e receptividade. As tipografias serifadas, porém extremamente contemporâneas, sugerem um país zeloso dos seu passado e sua herança mas de olho no futuro. Marca bonita e eficiente.

Turkey

Marca tão curiosa quanto a língua turca. Um dos primeiros países orientais de maioria mulçumana a se modernizarem e adotarem preceitos ocidenais, optou por uma marca que talvez represente aquilo que todos tem no seu imaginário quando se fala em Turquia: um país exótico, lindo, distante e misterioso. E a marca conseguiu transmitir essas idéias.

Swiss

A coqueluxe dos designers. A austeridade e sobreidade personificada. Nenhuma marca é mais moderna do que ela. Suíca, a marca sinônimo de bom gosto, simplicidade e eficácia. Ninguém nunca conseguiu dizer tanto com tão pouco. A cruz vermelha suiça é reconhecida quase que automaticamente em todos os cantos do planeta como sinônimo de uma sociedade séria, bem organizada, justa, limpa e correta. Dificilmente outro país consiga ser tão coerente tanto na sua imagem quanto nas suas ações. Não precisa de mais comentários.

Artigo livremente  inspirado daqui.