Sobre felicidade e crimes
fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment

Dois interessantes momentos do Brasil na mídia internacional que valem ser vistos/lidos e refletidos sobre a construção e a percepção da nossa imagem pelo mundo. O primeiro é o programa da BBC Fast Track in São Paulo, uma visão geral da cidade de São Paulo e sua comparação com o Rio de Janeiro, irmã mais pobre mas infinitamente mais bonita, segundo o apresentador Rajan Datan. O segundo é uma matéria na Forbes sobre as 10 cidades mais felizes do mundo, ranking baseado no índice Branding Cities Index 2009, produzido por Simon Anholt em parceria com GFK Custom Research.
No programa da BBC, o bem humorado apresentador apresenta uma São Paulo dinâmica, vibrante, coração pulsante da economia brasileira e comparada a grandes metrópoles como Nova York e Londres, a não ser por alguns pequenos detalhes: a sua ‘feiura’ e os altos índices de violência. Mesmo assim, Rajan tem uma boa impressão de São Paulo, graças principalmente a grande vida cultural paulistana e a lei Cidade Limpa, que baniu a publicidade na cidade o que, segundo o apresentador, compensa parcialmente o alto índice de poluição nas ruas de São Paulo. Fora os clichês típicos de um inglês em terras brasileiras, principalmente quando ele compara São Paulo com o Rio de Janiero, onde apenas as imagens de mulatas, festas, rodas-de-samba e futebol dominam a tela, o resultado é positivo para a cidade. Mas, infelizmente, a percepção das altas taxas do crime no Brasil ainda são as protagonistas no imaginário internacional.
Para assistir o vídeo da matéria da BBC, clique aqui.
Já na matéria da Forbes.com, a qualificação do Rio de Janeiro como a cidade com a população mais feliz do mundo mostra quanto é complexa a tentativa de mensurar os valores e as percepções da sociedade brasileira e, consequentemente, suas cidades.
Segundo Anholt, o inconsciente coletivo mundial associa o Rio de Janeiro ao bom humor, Ao estilo ‘bon vivant’ , o paradisíaco cenrário carioca e, obviamente, ao caranaval a clássica idéia de felicidade. Nem mesmo a violência latente da cidade consegue tirar a imagem de um carioca feliz. Mas o próprio Simon Anholt confessa que traços de felicidades não são o suficientes para deixar rastros na história de uma cidade ou país, ao contrário da economia e política, mas também concorda que é importante para as cidades que dependem do fluxo contínuo de turistas, imigração de talentos e convenções.
Ou seja, a imagem do Brasil continua a mesma: recheada de clichês, notas de violência, feiura e poluição, mas com toques de vanguardismos urbanísticos como a Cidade Limpa, mas ainda estruturada numa idéia de paraíso tropical com pessoas felizes independente da realidade contidiana. Isso talvez não seja de todo mal, mas não o suficiente para mostrar a potencialidade de um país continental.
Para ler a matéria completa da Forbes com as outras cidades além do Rio de Janeiro, clique aqui.

Ver e ser visto
fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment

Simon Anholt, consultor de Nation Branding inglês, criador dos termos Nation Branding, Public Diplomacy, Identidade Competitiva entre outros, pioneiro na pesquisa teórica e acadêmica sobre o assunto e autor grandes projetos de construção de imagens das nações em vários países em todos os continentes, divulga em seu site uma ferramenta interessante onde se observa como os países e cidades veem e são vistos por seus pares no cenário internacional. Baseado em uma pesquisa muito mais completa e abrangente, o Nation Branding Index, relatório anual desenvolvido em parceria com a empresa de consultoria GfK Custom Research, onde a partir de 6 itens básicos (população, produtos, governança, turismo, cultura, imigração e investimentos) é possível mensurar a imagem projetada destes países (apenas 50 pesquisados) para seus parceiros e ‘concorrentes’ mundiais. Este ranking é usado como balisador para governos analisarem sua auto-imagem e iniciarem o desenvolvimento de projetos de reconstrução de suas imagens.
O aplicativo disponível no site de Simon Anholt possibilita uma prévia dos resultados deste relatório anual onde é possível cruzar dados entre países em cada uma das 6 categorias utilizadas como metodologia da pesquisa. O resultado é apresentado apenas em números, sem nenhuma análise do resultado. Para esta informação é preciso ter acesso ao relatório completo produzido pelo consultor.
Funciona assim: você escolhe um país ou cidade para ser classificada e outro país que o classifica, por exemplo: no quesito cultura, o Reino Unido classica o Brasil no 17º lugar num total de 50, já o Brasil tem uma percepção da cultura inglesa de 9º lugar num total de 50 países.
Sem a profundidade merecida para argumentar estes resultados – citando apenas que 20 mil pessoas foram ouvidas em 20 países para a geração destes resultados, mas confiando na credibilidade de Anholt – a ferramenta é um divertida experiência onde é possível, mesmo que seja por alto, enxergar como os países e cidades são vistos pelos olhos de seus ‘concorrentes’.
Para acessar a ferramenta, clique aqui.
A Nova Ásia
fevereiro 1, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment

O escritório de consultoria em Nation Branding, East West Communications publicou este mês o East West Global Index 2009, o primeiro ranking global de Nation Branding que abrange os 192 países reconhecidos pela ONU mais 8 territórios autônomos. Até então, existia apenas o índice Anholt-GFK, ranking produzido pelo consultor Simon Anholt, pioneiro no tema Nation Branding, que, a partir dos critérios como população, governança, exportações, turismo, cultura, investimentos e migração, classifca os 50 países com a melhor imagem e percepção fora de seu território.
Desenvolvido a partir de uma metodologia complexa e até mesmo questionável, o índice avalia a imagem internacional dos países e como são vistos pela mídia internacional. Entre abril e junho de 2008, a East West Communications analisou mais de 5 milhões de menções nos 38 maiores sites de buscas de todo o mundo.
Segundo o ranking, dos 10 primeiros colocados, apenas quatro são países ocidentais (Austrália em 5º, Mônaco em 8º, Canadá em 9º e Reino Unido em 10º lugar). Os primeiros lugares ficaram com Cingapura, Honk Kong, Malásia, Taiwan, seguido por Emirados Árabes e Qatar, todos países em pleno crescimento econômico. Segundo o método utilizado pela East West Communications, os países asiáticos são os que tem a melhor representação na mídia internacional, onde temas como crescimento econômico, liberalização comercial, turismo, arquitetura, planejamento urbano são mais citados do que corrupção, violência, emigração, desrespeito aos direitos humanos entre outros tão caros aos países como Afeganistão e Iraque, respectivamente penúltimo e último lugar no ranking.
Já o Brasil figura surpreendentemente na 17ª posição, a frente da Finlândia, Alemanha, Suiça, e grande maioria dos países da União Européia e Estados Unidos, que se posiciona na 37ª posição. Mesmo sem esforço nenhum de Nation Branding e com casos de corrupção e violência que atravessam oceanos, o Brasil ainda consegue manter sua imagem de paraíso tropical, terra do carnaval e do samba para o mundo, que muitas vezes só atrai um turismo predador e investimentos especulativos. Mas a chance do Brasil reconstruir sua marca de um país moderno, global, rico tanto em cultura como em capacidade produtiva depende apenas de um planejamento real e a longo prazo de consolidação de uma construção de marca eficiente e que fuja dos esteriótipos tão comuns a nossa imagem.
Para ver o ranking completo e saber mais sobre a metodologia usada, acesse o site da East West Communications.
