Memórias sonoras (e visuais)

junho 2, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Mémorias de viagens sempre foram um dos melhores recursos para registrar experiências e sensações vividas em outros lugares. São únicas, pessoais e intransferíveis. E, não raro, a melhor e mais eficaz divulgação de uma região, pois é através desses relatos individuais que se constrói o imaginário coletivo.

O músico e designer mineiro Fabiano Fonseca está transformando suas memórias subjetivas em um projeto extremamente belo, rico e interessante: o Sonic PostCards, pequenos recortes sonoros do cotidiano das regiões em que visita, trabalha e vive. Uma forma única de sentir e absorver seu entorno através dos sons e ruídos, muitas vezes ignorados pela velocidade das coisas mas sempre presentes ao nosso redor.

Abaixo, o seu delicado olhar (e ouvido) para a pequena cidade de Beinasco, na Itália.

Sobre Peru, marcas e publicitários

abril 5, 2011 by isotipo.labs · 1 Comment 

O pequeno mas latente mundo do Place Branding está começando a sair da toca e mostrar à que veio. Uma disciplina ainda muito confundida com propaganda política, onde grandes agências – as maiores responsáveis pela criação desses projetos – ainda se utilizam de técnicas comuns de comunicação para o desenvolvimento desses projetos e, principalmente,  lida com a construção de uma marca de um país ou de uma região com o mesmo instrumental para a criação de uma marca de sabão em pó. Mas parece que aos poucos algo vai se transformando. Talvez a informação de que outros métodos e pensamentos são necessários esteja ficando mais evidentes e mais óbvios para todos os envolvidos. Pequenos cursos estão começando a surgir e orgãos oficiais estão se atentando para que não basta pagar para um grande nome da publicidade local cuidar de algo tão valioso, mas ainda muito sucateado.

Um caso interessante ocorrido esta semana foi a publicação do mini-artigo de Tânia  Savaget com o título ‘O branding para países, estados, cidades – Como seria no Rio? A hora é agora‘ no Blue Bus, tradicional site sobre notícias do mundo da propaganda, lido por 14 de 10 publicitários do nosso Brasil varonil. Como a Tátil foi a vencedora – com muito mérito – do concurso da marca das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, acabou se tornando o escritório com maior propriedade para falar sobre o assunto no Brasil. Mas é sempre bom lembrar que o processo de construção da marca, por mais belo que tenha sido – conforme o vídeo abaixo -, se resume apenas à uma marca que, apesar do evento ser de extrema importância para um processo de branding, é bastanate efêmero e está longe da complexidade de um projeto de marca para um país ou cidade.

Mas, então como pensar de forma consistente um objeto tão complexo como um país? Muito tem se feito mas pouco com relevância de fato. Pensar um projeto de uma marca não é mais apenas qual tipografia usar ou que ela deva representar – apesar de ser uma fase importante do processo – e sim o que está por trás deste projeto todo e qual o objetivo a se atingir. Normalmente ao se pensar uma marca de país se cria algo apenas para a promoção do setor turístico de determinada região. Os outros setores ficam só, perdidos num mar sem identidade.

A grande vedete deste ano é o novo projeto de marca para o Peru, nosso vizinho sulamericano. O Peru já tinha uma marca usada para o setor turístico, grande fonte de renda para o país, mas percebeu que com uma marca que transmitisse valores antigos e para um setor simplesmente não era mais viável, afinal a identidade de um país é de seu conjunto e não apenas para um determinado segmento. A FutureBrand de londres foi a responsável pela tarefa. Com a nova marca da Austrália e do arquipélago de Santa Lúcia no currículo e além de serem os responsáveis por um dos principais índices de classificação dos esforços de branding de países, mostraram neste novo projeto que de fato estão entendendo com profundidade como lidar com algo tão extenso e complicado quanto uma identidade nacional.

A marca Peru veio acompanhada de claros objetivos e com quem quer falar. Ao invés da grande maioria focar sua comunicação para a promoção do turismo, o Peru quer também atrair investimentos internacionais e usar como ferramenta principal de promoção dos seus produtos no exterior. Ou seja, a ideia é que a marca seja onipresente em tudo o que for relativo ao país, desde ações promocionais no Facebook até a fita para embalar seus produtos regionais. Até então, apenas a Suíça conseguiu colocar sua marca nacional no imaginário mundial. Se o Peru vai conseguir, é uma questão de tempo. Mas o primeiro passo foi dado da forma mais correta possível.

Para dar suporte ao lançamento da nova marca, o governo lançou o Marca Peru, um site onde todas as questões que envolvem a criação, o desenvolvimento, as pesquisas e os objetivos são detalhados de forma extremamente clara e envolvente. É um belo exemplo de organização e até de respeito com a sociedade peruana como um todo, a grande financiadora do projeto.

Abaixo, algumas imagens e o vídeo promocional da Marca Peru.

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Pensar e fazer !

março 11, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Quando se fala de Nation Branding, Place Branding, Marketing Territorial ou qualquer outro neologismo para tentar organizar dentro de uma área do conhecimento um assunto tão complexo como a manutenção da imagem de uma região, sua reidentificação, seu posicionamento perante seus “concorrentes” e, consequentemente, seu desenvolvimento econômico e social como objetivo final, muito se erra ao imaginar que um esforço deste porte seja resolvido apenas pela comunicação pois, diriam os incautos, afinal de contas estamos falando de branding. Nation Branding ou o quer que seja.

Talvez este seja um dos motivos pelos quais grande pensadores e consultores da área estão – pouco a pouco – abandonando a palavra branding de seus vocabulários.  Uma disciplina natimorta – diriam alguns – pois ela não dá conta da complexidade material e imaterial de um país ou de um lugar. Talvez o branding aplicado à países, estados, cidades, bairros, ruas, etc ainda não esteja morto como profetizam, mas já é consenso que é apenas a expressão final de algo muito maior, ou seja, um projeto de reidentificação, planejamento, gestão e governança onde o branding seja apenas a ponta final.

Aqui na América do Sul apenas o Chile tenha entendido um pouco mais profundamente o papel do branding em suas ações de posicionamento como um país inovador na região, principalmente após o projeto Start Up Chile onde vemos o branding apenas como construção da comunicação de um projeto de atração de talentos, empreendedores e investimentos com o claro objetivo do país se tornar o principal e mais relevante hub de inovação e tecnologia da América Latina.

A ideia é muito simples: em 2011 eles querem atrair cerca de 300 equipes com projetos inovadores para serem aplicados e desenvolvidos no Chile. Em contra partida, o governo chileno te dá 40 mil doláres para iniciar o projeto, um espaço de trabalho e um visto de 1 ano de trabalho. Em 2010, 25 projetos foram iniciados e já estão em desenvolvimento.

Ou seja, um esforço real e eficaz de Nation Branding não pode e nem deve se basear apenas no branding.

Abaixo, o vídeo de divulgação do projeto.

Todos os olhos

fevereiro 15, 2011 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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Dizem por aí que agora é a vez do Brasil.

Nunca antes na história desse país tanto se falou e se acreditou em nós. Pelo menos através de outros olhos, os dos estrangeiros. Apesar de abismos sociais dignos de um 8º mundo e absurdos saídos de uma ficção científica qualquer, o Brasil parece estar tentando botar a casa em ordem. E, de certa forma, isso está reverberando por outras bandas. Talvez seja pela estagnação européia ou pela crise interminável nos Estados Unidos, mas de fato o Brasil é o novo eldorado dos colonizadores 2.0. Um interesse sem precedentes por nós, meros sul-americanos sem pecados, parece dominar o chamado mundo sem fronteiras. Uma espécie de pulga atrás da orelha, se perguntando: afinal de contas, o que acontece lá embaixo da linha do equador?

Inevitavelmente o Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além de outros detalhes sem importância,  são os grandes responsáveis pelo nosso protagonismo mundial, mas também sabemos que eventos esportivos, apesar de globais, sozinhos não são o suficientes para manter uma audiência por muito tempo. Precisa ter lastro, algo que mantenha uma certa relevância. Não sabemos ainda se nossa ribalta é efêmera, mas existe algo em nosso ar e em nossa água que começa a fazer sentido além-mar. A Wallpaper celebra a nossa cultura, nosso design e nossas cidades. A Monocle festeja nossa diplomacia. O Le Monde desvenda nossa história. A The Economist preveu nossa decolada e nosso protagonismo numa América Latina cada vez mais forte, apesar de algumas democracias frágeis. Enfim, todos falam e todos querem o Brasil. Mas o que querem todos? Um pedaço do bolo, claro. Não é novidade que o Brasil de 2011 realmente deu alguns passos em direção à algo maior, ao contrário do resto do planeta, exceto a China, obviamente. O indíce de confiança aumentou e o Brasil, apesar de tudo, se apresenta como um país um pouco mais sério. E seriedade – mesmo na mais profunda alegria -  é o mínimo que se espera de qualquer região que pretende construir uma imagem de relevância.

Me lembro de uma palestra onde alguém disse que o Brasil sempre foi conhecido como o país dos 3 S’s: Samba, Sex, Soccer. Desnecessária a tradução. Dizem que a diretriz do Governo Federal para o Ministério das Relações Exteriores e para a APEX – orgãos responsáveis pela promoção da imagem nacional no exterior -, para a construção de nossa nova imagem é à partir do anagrama TOTAL: Tecnologia, Organização, Trabalho, Autenticidade e Lei. Dizem também que ordem não combina com progresso. Mas, num momento raro de ufanismo e otimismo, quem sabe realmente não chegaremos lá? Nos resta saber a nós, brasileiros, onde é lá.

Bom, alguém acredita que já estamos lá. Os pragmáticos ingleses do Financial Times chegaram primeiro e já estão contando para todos os lados que agora o lugar é aqui. Nada de China, Índia e Rússia, RIC’s que sem o nosso B não tem sonoridade nem bossa alguma. Com módicos £4,000 (libras!) anuais você, investidor internacional, pode saber tudo o que a baiana tem e aprender o caminho das pedras para faturar alguns milhões por aqui. Lançado em janeiro de 2011,  Brazil Confidential é o novo serviço da Financial Times que consiste em uma asisnatura anual (aquelas libras na linha anterior) para ter informações privilegiadas, análises e insights sobre – segunda a publicação – o mais excitante mercado emergente do mundo.

Já em dezembro de 2010, nossos irmãos da América do Norte começaram a se incomodar com o nosso braulho. O celebrado 60 Minutes da CBS dedicou alguns bons minutos de sua programação à tentar descobrir se somos um país sério pois, afinal de contas – segundo eles – tivemos o político mais popular do mundo e estamos vertiginosamente em direção a ser a 5ª maior potência econômica mundial. E para não ficar no achismo, Eike Batista, Eduardo Bueno – o historiador – e Lula foram os escolhidos para contar essa pequena história de uma revolução econômica e social em curso, que levará o Brasil à outros níveis.

Mais uma vez somos a cereja do bolo. Uma horda estrangeira está chegando, buscando insacialvelmente um pedaço do nosso quitute econômico. Cabe a nós divdir esse bolo antes da chegada e, quem sabe, deixar a cereja para eles.

A hora de pensar, construir e fazer um país sério é agora. Um país sério, mas sem esquecer o carnaval, o futebol e o samba afinal, Deus é brasileiro.

Abaixo o vídeo do 60 Minutes sobre a epopéia brasileira.

Aprendendo uma cultura

fevereiro 8, 2011 by isotipo.labs · 1 Comment 

Vilém Flusser, linguísta e filósofo da comunicação e do design, afirmou no seu ‘Língua e Realidade’ (1963) que conhecer várias línguas é transitar por vários mundos e, consequentemente, por realidades distintas. Ou seja, para conhecer e viver pronfudamente uma nova cultura e entender os hábitos de uma outra sociedade, nada mais óbvio do que falar sua língua, um dos grandes pilares da formação da identidade de um povo.

Quando Flusser escreveu sobre transitar por diversas realidades ao falar várias línguas, estava claro que ele estava pensando sobre como o aprender uma nova língua é viver em sua essência uma outra cultura. E, como já é mais do que sabido, a melhor forma de apredender a língua local é viver a cultura local, coisas tão indissociáveis quanto fundamentais.

Muito mais que um simples comercial para uma escola de línguas, os vídeos abaixos traduzem de forma extremamente bela e contemporânea essa sutíl relação entre língua e cultura.

O novo Báltico

setembro 9, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Há algo de novo acontecendo nas águas geladas do Báltico. Os três países que formam essa microrregião (Estônia, Letônia e Lituânia) sempre foram coadjuvantes na história recente da humanidade, consenquência da inquestionável dominação social, militar e da homogenização cultural  imposta pela União Soviética por mais de 70 anos. Hoje, quase 20 anos depois de independência e 6 após a entrada dos três países na União Européia, os pequenos bálticos lutam agora para transformar a imagem herdada pela era soviética de corrupção, prostituição, pobreza e decadência, além da consolidação de uma identidade nacional forte e distintas entre si. Então, nada mais natural do que se aventurar por projetos de branding para tentar esta difícil transformação. E cada um dos países se lançaram à esses esforços, ora bem sucedidos, ora de tão tímidos e conservadores que ainda continuam a causar confusão na cabeça de seus interlocutores.

Mas existem bons argumentos. Após a entrada dos países na União Européia em 2004, a economia e qualidade de vida da região aumentou exponencialmente, muito graças à mão de obra barata e qualificada da região, mas o turismo e o investimento internacional, além do reconhecimento de seus produtos, não apareceram como deviam. Localizados em uma região estratégica, rica em natureza e com um grande passado a ser descoberto, os países então passam a investir em projetos de valorização da identidade nacional e promoção internacional de seus valores intangíveis, cada um com suas peculiaridades.

Dos três países, definitivamente a Lituânia é o que mais investe em promoção internacional e no que eles próprios chamam de “estratégias criativas para o desenvolvimento da imagem econômica do país”.  Para isso, tiveram ajuda dos especialistas da Saffron Brand Consultants, um grupo internacional de branding capitaneado por Wally Ollins. A estratégia criada pela consultoria, extremamente rica, complexa e completa, defende que a imagem econômica do país é indissociável de sua imagem como um todo. Então, como argumento inicial que norteu todo o projeto, a Lituânia não deveria mais ser percebida apenas como um dos três países do Báltico e sim como o país mais atrativo para investimentos do nordeste da Europa pelo seu tamanho (é o maior dos três países),  pela infraestrutura superior, pela ética nos negócios, pela notável criatividade cultural e por sua localização privilegiada, no meio do caminho entre a Europa ocidental e oriental, além da vizinha Rússia. Então aqui temos um projeto de branding que extrapola a simples promoção turística de sua região. A Lituânia quer ser mais do que isso. Quer ser uma espécie de novo eldorado para os negócios globalizados numa região ainda pouco explorada.

Outro artifício importante para a consolidação de uma imagem positiva para o país  foi a valorização dos produtos e serviços produzidos internamente e pensados como potenciais “embaixadores” para a valorização da marca nacional mundo afora. Apesar de uma identidade visual extremamente destoante de toda a comunicação, o Made in Lithuania é uma ferramenta online onde está concentrado todas as informações relevantes sobre a produção local passível de exportação. É o conceito de Country of Origin aplicado na prática.

Abaixo, um vídeo de apresentação sobre o país que, apesar do foco explícito em atração de investimentos e novos negócios, se utiliza de uma linguagem gráfica e um tom de voz extremamente contemporâneo, beirando quase o pop, analogia interessante para um país que, apesar de mais de mil anos de tradição e história, vive seu tempo.

A Letônia escolheu um caminho mais curto e objetivo para se diferenciar de suas duas irmãs. Condenada à mesma herança soviética dos outros dois países, a Letônia frequentemente sofre com sua instabilidade econômica, princiaplemte pós-crise global de 2008. Mas uma de suas grandes características é a capacidade de seu povo enfrentar problemas milenares com bom humor e resiliência. Esse então foi o mote para o mais recente esforço de promoção internacional criado pelo país. Como foco claro na experiência e na atração de turistas para sua região, a ação desenvolvida pelo país na Expo 2010 Shangai,  batizada de Technology of Happiness, nada mais é que um grande tubo de vento multicolorido onde as pessoas são convidadas a experimentar a sensação de “voar de felicidade”. Simples assim. E em 4 meses de exposição, é um dos pavilhões mais concorridos de toda a Expo.

Apesar de ser altamente questionável pelo seu efeito efêmero, a ação proposta pelo país tem revelado uma interessante e pouco racional faceta de um projeto de Nation Branding: a das ações falarem mais do que as palavras. Com pouco discurso, com uma linguagem extremamente moderna e colorida e com a possibilidade de vivenciar uma experiência única, o país está conseguindo transformar a velha imagem soviética de um povo fechado, triste e cinzento em uma nação única e vibrante. Segundo o site oficial do país no evento, o ineditismo da ação já começa a render bons frutos para o país, em forma de procura por investimentos internos.

Já a Estônia, o menor dos três países, optou por um projeto tímido, conciso, quase silencioso. Lançado em 2001, o projeto Branding Estonia tinha como objetivo básico se distanciar de seu passado soviético e se aproximar dos primos escandinavos, já que a língua estoniana tem parentescos bem próximos com o finlandês, para se autoafirmarem como um país moderno. Auto entitulado de “a Nordic country with a twist, o projeto estoniano tenta criar uma percepção de credibilidade tanto do país quanto do seu povo, que invariavelmente tem sua imagem manchada por casos de corrupção e prostituição. A experiência da Estônia tenta usar os aprendizados obtidos pela Irlanda, um país também pequeno, ofuscado muitas vezes por uma grande potência (caso da Inglaterra), mas com grandes qualidades econômicas e culturais.

A grande ressalva em construir a Estônia como um país nóridco com uma certa “ginga” foi a fraca linguagem visual e o simplório tom de voz escolhidos para comunicar um país com grandes problemas de percepção. Apesar de uma marca promocional com contornos contemporâneos, um certo ruído gráfico em sua identidade visual – principalmente mostrado no vídeo e no site da maior ação promocional do país, a Estônia Expo Center-,  mostra uma fraqueza em sua execução, remetendo à uma imagem antiga e ultrapassada, que não condiz com o discurso de contemporaneiade que o documento Estonia Style brandbook tanto defende. Talvez a efemeridade em focar apenas na questão turística aliado a uma identidade visual dessonante seja o grande ponto fraco desse projeto.

Apesar das especificidades de cada projeto de branding desenvolvidos para os três países, o grande desafio na verdade, além de atrair turistas e investimentos -  o que não é mais um dos grandes problemas após a entrada na União Européia – é a consolidação e a diferenciação de cada identidade nacional. Pesquisando um pouco mais a fundo, é possível identificar oceanos de diferenças culturais entres os três países tão próximos e que por muitas décadas foram subjulgados por uma cultura homogenizante. Mas para o interlocutor mais desatento, diferenciar Estônia, Letônia e Lituania pode ser uma tarefa tão difícil quanto aprender um de seus idiomas. A identidade nacional é o valor intangível mais precioso que qualquer nação pode ter. Saber explorá-la de uma forma original e desvinculada de clichês e esteriótipos é o grande desafio. Para chegar a um resultado satisfatório e sustentável a longo prazo – assim como os irlandeses conseguiram magistralmente se desvincular culturalmente da Inglaterra através de suas marcas, seus hábitos, suas lendas e de seu povo – os países bálticos vão precisar se mostrar cada vez mais diferentes e originais  para seus parceiros internacionais, não necessariamente só para os turistas. Substrato para essa diferenciação existe aos montes.

Japão, um país estranho

março 22, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

O designer japonês Kenichi Tanaka, num exercício interessante de auto-reflexão, desenvolveu uma tese de como seu país era visto pelos olhos estrangeiros. Para isso, criou um vídeo onde dados tradicionais como o alto índice de desenvolvimento humano ou o segundo maior PIB do mundo são associados a certas peculiaridades típicas daquela sociedade, como os olhos pequenos, a tímidez de seu povo e o fascínio quase descontrolado de suas mulheres por dietas e marcas ao mesmo tempo que são apaixonados por fast food. O resultado, abaixo, é um divertido e belo retrato da sociedade japonesa, mesmo que carregado de  humor e uma certa exarcebação de clichês.

A inspiração de Istambul

março 1, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

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Istambul sempre inspirou e instigou o imaginário da humanidade, desde quando ainda era Constantinopla, centro cultural e religioso do mundo daquele período, além de ponte para as rotas comerciais que ligavam o oriente ao ocidente. A queda de Constantinopla, em 1453, quando o império romando no oriente foi destruído e se estabeleceu o Império Otomano, é considerado por muitos historiadores como o fim de fato da Idade Média na Europa e uma de suas principais consequências seria a procura pelos navegadores espanhois e portugueses por uma rota alternativa ao oriente, culminando assim na “descoberta” das américas. Até mesmo o arquiteto franco-suíço Le Corbusier, no seu relato A Viagem do Oriente, diário de viagem redigido em 1911 pelo então jovem estudante de artes, afirma que sua viagem por Istambul foi seminal para a sua formação pessoal e profissional.

Hoje a Turquia é um dos únicos países de maioria mulçamana que mantém um governo secular e laico e que cada vez mais tem se aproximado do ocidente, mas sem deixar suas tradições milenares de lado, e Istambul é o maior espelho dessas transformações. A cidade é considerada umas das mais vibrantes atualmente, tanto pela sua cultura quanto para os negócios. Apesar de sua inegável modernização, a cidade ainda faz parte de um país pobre e que  sua exuberante modernidade contrasta radicalmente com o arcaico e quase medieval interior turco. Talvez essa seja um dos grandes entraves na compelxa discussão do país para integrar a União Européia, que acontece desde 2005 e tem como principais opositores a Áustria e a França.

Mas se depender da imagem que a Turquia está emanando para o mundo, talvez esse cenário se transforme. Em novembro de 2009, o projeto de discussão e investigação  sobre o futuro das cidades, Urban Age, organizado pela London School of Economics e pelo Deutsche Bank’s Alfred Herrhausen Society, realizou a conferência Istambul: A Cidade das Interseções, sobre os desafios e o futuro da 5ª maior cidade do planeta. Durante 3 dias, os principais pensadores sobre urbanismo, sociedade e cidades se reuniram para discutir as possibilidades, os desafios, e, principalmente, o momento de profunda transformação que a cidade está vivendo. Saskia Sassen, professora de Sociologia da Universidade de Columbia e criadora do conceito de Cidade Global, uma das convidadas mais ilustres do evento, afirma que o momento em que a cidade vive atualmente é um dos mais importantes e promissores em seus quase 3 mil anos de história, e que basta apenas que os governantes saibam aproveitar da face positiva da inevitável globalização. A revista inglesa Monocle produziu um belo resumo da conferência, que pode ser assistido em vídeo pelo seu site. O relatório final e maiores inofrmações sobre a conferência estão disponíveis para download no site do projeto.

E parece que de fato o governo local está tentando aproveitar esse movimento positivo. Istambul foi escolhida pela União Européia como a Capital da Europa da Cultura de 2010, um grande esforço de Public Diplomacy onde a cidade se transforma no foco da atenção mundial, tanto para as questões culturais quanto para a posibilidade de se estabelecer novos negócios e parcerias internacionais. Para isso, Istambul desenvolveu várias ações de divulgação e consolidação da sua imagem nacional, tudo dentro de um sólido conceito: Istambul Inspirations. A marca, uma feliz mistura de elementos clássicos a uma estrutura contemporânea, mostra claramente essa peculiar dualidade ocidente/oriente, o que torna a cidade única e mágica. Abaixo, um vídeo sobre as inspirações que a cidade exerce sobre o imaginário coletivo, desde suas clássicas mesquitas e belas imagens do Canal do Bósforo, mas claro, sem esquecer os tais elementos contemporâneos o que torna a cidade mais interessante ainda.

Lars von Trier e o branding da Dinamarca

fevereiro 26, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Como seria o branding da Dinamarca se o cineasta Lars von Trier, um dos criadores do conceiro Dogma 95 de se produzir cinema fora dos padrões hollywoodianos, fosse o responsável pela concepção da imagem nacional e pela produção de filmes institucionais para o país? É o que a The Onion -  site especializado em um jornalismo fantasioso mas de extrema qualidade – se perguntou e resolveu investigar. O resultado está no vídeo abaixo.

Provavelmente as autoridades dinamarquesas não vão gostar nem um pouco dessa brincadeira e várias manifestações de repúdio ao site vão surgir, mas é uma questão inevitável de se analisar. A imagem de uma Dinamarca extremamente bem organizada, socialmente estruturada e perfeitamente construída em valores políticos e  democráticos, que invariavelmente está sempre nos primeiros lugares tanto nos rankings internacionais de percepção quanto nos índices de desenvolvimento social e humano  da ONU,  não raro também é percebida por atitudes extremas de desvio social, o que, claro, aconetece em qualquer sociedade, mas que contrasta radicalmente com essa imagem constrúida de uma civilidade perfeita do povo dinamarquês. E Lars von Trier é um dos maiores divulgadores dessa imagem distorcida de sua sociedade. Então, por mais que a piada possa parecer de mau gosto, é indiscutível que a imagem construída por Lars von Trier em seus filmes, mesmo quando o assunto não é necessariamente sobre a sociedade dinamarquesa, reflete um pouco a percepção que o mundo tem da Dinamarca, mesmo que seja um pouco ficcional.


Denmark Introduces Harrowing New Tourism Ads Directed By Lars Von Trier

I Feel Love

fevereiro 19, 2010 by isotipo.labs · Leave a Comment 

Post originalmente publicado em: November 3, 2009

Slovenia I Feel Love

A Eslovênia é um pequeno país escondido entre Áustria, Hungria, Croácia e Itália. Pouco se sabe sobre ele a não ser que fez parte da antiga Iuguslávia. Fora isso, o país não tem nenhum destaque no imaginário das pessoas. Nem um produto característico, nenhum compositor famoso, nenhuma batalha memorável, nada. Provavelmente deve ser um lindo lugar para se conhecer pois mantém um grande acervo de obras romanas e uma bela arquitetura medieval, mas isso quase toda a Europa também possui.

Então, como construir sua imagem e se tornar conhecida pelo mundo? Como atrair turistas e tornar seus produtos desejados? Os eslovenos estão tentando. Lançaram um site, vários vídeos pela internet e um logo onde descobriram um interessante trocadilho entre Eu Sinto a Eslôvenia e Eu Amo a Eslovênia. A logomarca ainda não diz muito sobre a identidade do país, mas foi uma saída original para vender um sentimento nacional.

Basta esperar agora para ver qual resultado deste esforço, mas ao menos é um grande passo para um projeto de criação da imagem nacional. Ainda mais agora que o Mar Adriático está virando pólo turístico de alto-luxo para milionários de todo mundo.

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